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Rafael Milhomem mostra a estrutura da peça Ritoalma, do CD Novas 3. Baixe a partitura

Postado em Concurso Novas em 25/11/2019

(Rafael Milhomem)

Por Rafael Milhomem

Especial para o Acervo Violão Brasileiro

A partitura de Ritoalma, que o Acervo Violão Brasileiro publica nesta segunda-feira (25/11), é inspirada numa mescla entre o fraseado dissonante de Leo Brouwer e a ambientação oriental de Carlo Domeniconi. Eu compus a peça em 2015 e foi uma das selecionadas para o disco do Concurso Novas 3. O título é uma junção das palavras “ritual” e “alma”.

BAIXE A PARTITURA de "RITOALMA"

Também gravei Ritoalma no meu álbum solo Flugantaj Melodioj, lançado por uma gravadora especializada em música em Esperanto. Por conta disso, mudei o título para Ritaro de l' animo.

A peça está estruturada em Introdução, parte A, B, C, A. Ela tem início com uma tambora que simula uma espécie de abertura de algum portal dimensional. Em seguida são apresentados os dois temas que utilizei para desenvolver essa obra. Ambos os temas são apresentados em sequência na introdução que vai do compasso 1 ao 33.

TEMA 1                                                                                       

          

TEMA 2

                

No compasso 12 o segundo tema é apresentado nos baixos, enquanto a voz superior caminha por graus conjuntos, realizando um contracanto.

No compasso 24 o primeiro tema é apresentado por movimento retrógrado, iniciando na nota Mi e, no compasso 26, na nota Si.

Segue a mesma ideia de desenvolvimento nos compassos 28 e 30, finalizando essa sessão introdutória.

A sessão A é iniciada com o desenvolvimento do segundo tema, dessa vez por diminuição. Aqui o tema se torna mais movido.

O primeiro tema é reexposto no final da sessão A no compasso 42 por movimento retrógrado e por diminuição simultaneamente, iniciando na nota Ré e no 43, uma oitava acima.

A sessão B tem início no compasso 48. Após uma pequena ponte, o primeiro tema é reexposto no compasso 55 porém, ocorre um adensamento rítmico por meio de arpejos em sextinas. Aqui a peça começa a ganhar mais densidade e tensão. A melodia é apresentada nos baixos.

O mesmo padrão de desenvolvimento ocorre nos compassos 57, iniciando na nota Sol no 59 na nota Si e no 63 na nota Lá. Já no compasso 67 a melodia passa a ser feita na voz superior ainda desenvolvendo o primeiro tema.

A sessão C começa no compasso 70. O desenvolvimento passa a ser feito com o segundo tema. A melodia se encontra na voz superior. Aqui ocorre mais um grau de adensamento rítmico devido à figuração de arpejo em fusas. 

No compasso 74 o mesmo adensamento rítmico em fusas é exposto com o desenvolvimento do primeiro tema aqui apresentado na voz superior. A mesma ideia é apresentada no 76 com a melodia uma oitava a cima.

No compasso 79 é reapresentado o segundo tema de modo fragmentado, sendo a melodia executada na voz inferior.

Para arrematar essa sessão é reexposto o primeiro tema em harmônicos oitavados conferindo maior sutileza ao desfecho da sessão.

A sessão A é reexposta no compasso 88 e para finalizar a obra a tambora é utilizada no último compasso simulando uma ideia de fechamento do portal dimensional.

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