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Quaternaglia Guitar Quartet

Nascimento:

Natural de: São Paulo (SP)

A partir deste quarteto, vários outros surgiram no Brasil. Foto com Chrystian Dozza, Fábio Ramazzina, Thiago Abdalla e Sidney Molina

Discografia

por GILSON ANTUNES

O Quaternaglia Guitar Quartet (inicialmente, apenas Quaternaglia) foi formado em 1992, tendo em sua primeira formação os violonistas Eduardo Fleury, Sidney Molina, Breno Chaves e Daniel Clementi. Todos eles, na época, eram alunos dos professores Henrique Pinto ou Edelton Gloeden e sentiam falta de um grupo com essa formação. Chegaram a dizer, inclusive, que nunca haviam sequer assistido a um recital de quarteto de violões, até aquele momento.

Após uma breve passagem do violonista Guilherme de Camargo – que posteriormente iria prosseguir seus estudos musicais na Europa – o Quaternaglia estabeleceu sua formação com Eduardo Fleury, Sidney Molina, Breno Chaves e Fabio Ramazzina até 1999. Desde o início, o quarteto teve uma atitude bastante profissional em relação ao repertório, vestimenta, organização e performance, vindo a tocar todos os recitais de memória, sem leitura das partituras e sempre com os mesmos violões, fabricados pelo luthier carioca Sérgio Abreu.

Primeiros CDs

Em fevereiro de 1995, no período de apenas uma semana, gravaram um dos primeiros CDs independentes do violão brasileiro. Com título homônimo, o registro apresentou um repertório de Villa-Lobos (numa transcrição de Sérgio Abreu das Bachianas Brasileiras n.1) até Stravinsky e Estércio Marquez Cunha (com a Suiternaglia, dedicada ao quarteto), além da obra integral de Leo Brouwer para a formação de quarteto de violões. Esse CD acabou marcando época pelo pioneirismo, versatilidade, ousadia e alto grau artístico do quarteto, vindo a influenciar toda uma geração da música de câmara com violão no Brasil.

Ainda em 1995, o Quaternaglia gravou outro CD, Antique, pelo selo Paulinas Comep, que teve a participação especial do consultor musical do conjunto e professor de alguns dos integrantes, Edelton Gloeden. O repertório, dessa vez, baseou-se em transcrições de obras dos períodos renascentista, barroco e clássico, mostrando a versatilidade do conjunto. Este CD seria finalista do Prêmio Sharp de Música, o mais importante da época.

Prêmios

Em setembro de 1996, os quatro apresentaram-se no Festival Internacional de Guitarra de Montevidéu, no Uruguai, e tiveram um primeiro contato com Egberto Gismonti, que viria a ter grande importância na história do conjunto. No segundo semestre de 1997, fizeram sua primeira turnê nos Estados Unidos, apresentando quatro recitais em Miami, Washington e New Jersey. Ainda nesse ano ganharam o prestigioso Prêmio Carlos Gomes, concedido pela Secretaria de Cultura do Estado de São Paulo.

Após apresentarem-se em diversas cidades em todo o Brasil, além de Caracas, na Venezuela, o Quaternaglia conseguiu em maio de 1998 uma façanha inédita: foi o primeiro grupo brasileiro de violões a ser premiado num concurso internacional, no 9º Festival e Concurso Internacional de Havana, em Cuba, tendo como jurados Leo Brouwer, Eliot Fisk, Jesus Ortega e Costas Cotsiolis. Lá, o quarteto venceu o Ensemble Prize por unanimidade.

Estados Unidos e Forrobodó

Em 1999, o grupo realizou sua segunda turnê pelos Estados Unidos, numa maratona de mais de 20 dias de recitais. No ano seguinte, abrindo o milênio, gravaram o mais importante CD da carreira do conjunto até aquele momento: Forrobodó foi lançado pelo Selo Carmo, de Egberto Gismonti, e divulgou o Quaternaglia para um público mais amplo e diversificado, especialmente o europeu.

O repertório do CD, em sua maioria, foi dedicado ao conjunto, com obras de Paulo Bellinati, Egberto Gismonti, Sérgio Assad e transcrições de Ernesto Nazareth. A gravação mostrou também a troca de integrantes, após sete anos de estabilidade. Paulo Porto Alegre entraria no lugar de Breno Chaves, que estava enfrentando problemas musculares nas mãos. No CD, cada um deles gravaria metade das faixas, tendo como núcleo central os outros três integrantes.

Em 2004, pelo selo Paulus Music, o Quaternaglia gravou o quarto CD da carreira, Presença, já com nova formação: além de Sidney Molina e Fábio Ramazzina – que se tornariam o núcleo central do conjunto – tiveram como novos integrantes João Luiz e Fernando Lima. O fundador Eduardo Fleury havia deixado o grupo anos antes para se dedicar à informática, numa época em que a internet estava se desenvolvendo fortemente no Brasil.

Turnê e DVD

As músicas do disco (com exceção das peças de Rodrigo Vitta) continuou a mostrar as preferências musicais do conjunto, com autores que buscam uma síntese da música popular com a música clássica. O destaque foi a versão para quarteto de violões do próprio Radamés Gnattali de seu Quarteto de cordas n.1, realizada a pedido de Sérgio Assad.

Como parte da turnê de lançamento do CD Presença, o Quaternaglia gravou um DVD ao vivo para o selo Itaú Cultural, que viria a ser lançado em março de 2006 no SESC Ipiranga, em São Paulo. Esse foi um dos primeiros DVDs de um grupo de violão clássico no Brasil, apesar do repertório voltado para a música popular brasileira instrumental.

O disco seguinte, denominado Estampas, gravado nos Estados Unidos em apenas dois dias em fevereiro de 2007, seria lançado apenas em 2010, com repertório que trazia uma nova versão de Sérgio Abreu das Bachianas Brasileiras n.1, de Villa-Lobos, além de obras de Ginastera, Torroba, Sérgio Assad e Leo Brouwer.

Outros integrantes

Novas mudanças ocorreram na formação do conjunto entre 2007 e 2010: inicialmente, Fernando Lima deixou o grupo para se dedicar ao duo com sua esposa, Cecília Siqueira (o Duo Siqueira Lima), sendo substituído por Paola Pichersky. Em seguida, João Luiz também deixou o conjunto para se dedicar ao Brasil Guitar Duo ao lado de Douglas Lora, sendo substituído por Chrystian Dozza. Paola permaneceu até 2011, quando deixou o grupo em meio às gravações do CD Jequibau, dando lugar a Thiago Abdalla, um ex-aluno de Edelton Gloeden. Esse CD, lançado em 2012, contém obras de Paulo Bellinati, Paulo Tiné, Marco Pereira e Egberto Gismonti.

A formação atual do Quaternaglia vem se mantendo desde 2011 com Molina, Ramazzina, Dozza e Abdalla. O grupo se apresenta constantemente nos principais festivais de música do Brasil, incluindo concertos com orquestra, e é figura constante também em séries norte-americanas e europeias, tendo se apresentou com sucesso em Portugal, em 2013. Em 2014, o Quaternaglia participou do disco Mitología de las Águas, no qual interpretou o Concerto Italico de Leo Brouwer com a Orquesta de Câmara de La Habana regida pelo compositor. Em 2015 lançaram o elogiado CD Xangô, com obras de Almeida Prado, Ronaldo Miranda, Villa-Lobos, Sergio Molina, Chrystian Dozza, João Luiz e Paulo Bellinati.

A importância do Quaternaglia é singular, pois a partir dele, vários outros quartetos de violão surgiram no Brasil, entre eles Quarteto Tau (que tem entre seus integrantes Breno Chaves, que também participou do Quaternaglia) e o Quarteto Ibirá. O Quaternaglia ajudou a formar todo um repertório contemporâneo para quarteto de violões, por meio de encomenda de novas obras e de arranjos e transcrições próprias. Foi pioneiro em termos de gravações digitais no Brasil, tanto em termos de CDs quanto em DVD. E também é um dos principais divulgadores da música brasileira para violão no exterior.

 

Links:

www.quaternaglia.com.br

Discografia

Quaternaglia (JHO, 1995)

Antique (Paulinas Comep, 1996)

Forrobodó (Carmo, 2000)

Presença (Paulus Music, 2004)

Estampa (Tratore, 2010)

Jequibau (Tratore, 2012)

Xangô (Tratore, 2015)

Participações:

Universo Sonoro: Lina Pires de Campos (Régia Música, 1998)

Rumos Musicais (Itaú Cultural, 1999)

10 Anos de Violão Intercâmbio (GTR, 2004)

Guitare du XXIme Siecle: Eric Penicaud (Quantum, 2010)

Leo Brouwer: Mitología de las Águas (2014)

DVD:

Quaternaglia (Toca Brasil, Itaú Cultural, 2006)