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Marcus Llerena

Nascimento: 10/10/1955

Natural de: Santos (SP)

O trabalho de Marcos Llerena com o violão é dos mais importantes e consistentes entre os violonistas brasileiros de qualquer época

Discografia

Por Gilson Antunes

O trabalho de Marcos Llerena com o violão é dos mais importantes e consistentes entre os violonistas brasileiros de qualquer época. Filho de Juan Clinton Llerena (carioca de origem peruana e mãe americana) e da paulista Beatriz Simosen de Oliveira, Marcus iniciou os estudos de violão com Norberto Macedo em 1971 no Rio de Janeiro, na Casa Carlos Weirs, na Rua da Carioca, onde estudou por dois anos.

Em seguida conseguiu bolsa para estudar na Indiana University, nos Estados Unidos, onde teve aulas com Javier Calderón, um boliviano que havia estudado com Andrés Segovia. Decidiu depois estudar na Espanha, prestando o teste e entrando diretamente no quinto ano do Real Conservatório de Madrid, onde fez aulas com D. Aureo Herrera e com a filha dele, Roccio. Na Espanha, travou contato também com os luthiers Ramirez, Paulino Bernabé e Contreras.

Em 1977 resolveu voltar ao Brasil, conquistando o primeiro lugar no Concurso Violão de Ouro, promovido pela Rede Globo. Viajou em seguida para uma turnê no norte e nordeste do país.

Na França de 1979 a 1980 fez mestrado sob orientação de Oscar Cáceres, tendo que abandonar o curso após um ano e meio de estudos, retornando ao Brasil em seguida para tentar uma bolsa de estudos.

Com Segovia

Em 1982, participou de um masterclass com Andrés Segovia no Metropolitan Museum de Nova York, tocando o primeiro movimento da Sonatina Meridional, Campo, de Manuel Ponce. Em seguida conseguiu a bolsa de estudos e finalizou mestrado na França, onde voltou a morar de 1983 a 1989. Nesse país ensinou violão e música de câmara nos conservatórios de St. Leu d´Esserente e St. Maximin.

No Brasil foi convidado para dar aulas em importantes festivais, como o de Inverno de Campos do Jordão, o de Música de Cascavel e Festival o Vale do Café – além de participar do Seminário Nacional de Violão Souza Lima.

Prêmios

Marcus Llerena foi premiado nos concursos de Madri (1976-1977): Sablé sur Sarthe (1983) e o Prêmio Presence de la Musique, pela Fundação Yehudi Menuhim, em 1988.

Já se apresentou como solista e camerista por todo o Brasil, destacando-se os recitais na Sala Cecília Meirelles e Centro Cultural Banco do Brasil (ambos no Rio de Janeiro), Teatro Municipal de São Paulo, Teatro da Paz (Belém), Teatro São Pedro (Rio Grande do Sul) e Teatro Guaíra (Curitiba).

Turnês

Desde 1991 vem se apresentando com sucesso no exterior, recebendo críticas favoráveis de revistas como a Classical Guitar, da Inglaterra, que o apontou como “um dos melhores violonistas brasileiros”. Já se apresentou na América do Sul, América do Norte, Europa e Ásia, em países como Estados Unidos, China, Áustria, Alemanha, Bélgica, Holanda, França e Espanha.

Como solista de orquestra, já se apresentou sob a regência de grandes maestros como Isaac Karabtchevsky, Ernst Mahle, Simon Blech, Léon Halegua, Julio Medaglia e Daniel Bortholossi.

Discos

Já gravou vários CDs, todos com repertório diferenciado. O primeiro foi Musique de Chambre Bresiliene pour la Guitarre, com obras de Mahle, Villa-Lobos, Guerra-Peixe e da própria autoria. No Brasil o CD recebeu o título Noturno Brasileiro.

Em 1993 gravou segundo disco, Premiére, lançado pelo selo independente Velas no ano seguinte. O repertório desse CD consiste de obras de Radamés Gnattali, Marlos Nobre, Marcelo Camargo Fernandes e Márcio Côrtes. Em 2000 lançou Burgos de Mauá: Música da Eupora Renascentista, com obras de dezenas de compositores, entre eles Francesco da Milano, John Dowland, Luiz Milan e Gaspar Sanz.

Em dezembro de 2005 lançou Levanta Poeira, formado por 18 faixas, cada um autor diferente, abrangendo grandes cânones do choro, como Chiquinha Gonzaga, Zequinha de Abreu, Pixinguinha, K.Ximbinho, Luiz Americano e Jacob do Bandolim, junto com grandes compositores de violão, a exemplo de Armando Neves, Nicanor Teixeira e Garoto.

Com Rezenete Eberhadt

Nesse mesmo ano participou do disco Feliz Natal, da harpista Cristina Braga. No ano seguinte gravou Germânia com a cantora Rezenete Eberhadt, com repertório alemão, além de obras solo de Sor, Coste e Giuliani. Com  a mesma artista produziu outro CD, Tempo de Natal.

Em 2008, realizou novamente com Rosenete Eberhardt, uma série de 76 concertos por 19 estados brasileiros pelo projeto Sonora Brasil, do SESC, com repertório voltado para a obra de Heitor Villa-Lobos. Nesse mesmo ano lançou Toque Solo, com obras de Roberto Velasco, Mauro Rocha, Márcio Côrtes, Ernst Mahle, Edino Krieger e Nelson Ângelo.

Em 2008 e 2010 gravou, respectivamente, os CDs Noite e Sonhos, e Serenata Brasileira – com repertório baseado no folclore brasileiro –, ambos com a cantora Rezenete Eberhardt.

Como produtor, Marcus Llerena contribuiu com vários CDs de outros músicos, sendo o último um inédito com obras do político e compositor Arnolfo de Azevedo (1868-1942), que foi deputado federal e senador pelo Rio de Janeiro. É mais um dos projetos relevantes desse violonista único em todo o mundo.

Link:http://www.duoeberhardtllerena.com.br/

Discografia:

- Noturno Brasileiro (1991)

- Premiére (Velas, 1993)

- Alianças (1995-1998) com Cristina Braga (harpa)

- Ao Vivo em Ostrauderfëhn (1999) com Cláudio Menandro (cavaquinho, violão, gamba)

- Burgos de Mauá (2000)

- Levanta Poeira (2005)

- Tempo de Natal (2005) com Rosenete Eberhadt (canto)

- Germânia (2006) com Rosenete Eberhadt (canto)

- Toque Solo (2008)

- Noite e Sonhos (2008)

- Serenata Brasileira (2010)

- Canções, Serestas e Modinhas de Heitor Villa-Lobos (2011) com Resenete Eberhadt (canto)

- Variações (2014)

 

Livros de partitura:

-10 Choros para Violão – arranjos de Marcus Llerena (editado por Eduardo Boechat)