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Gustavo Ribeiro

Nascimento: 04/07/1896

Falecimento: 10/03/1951

Natural de: Porto Alegre (RS)

Um dos pioneiros do rádio nos anos 1920 e 1930, é autor de dezenas de peças e professor de nomes como Othon Salleiro

Imagens

Partituras

Por Jorge Carvalho de Mello

Iniciou a vida artística como bandolinista e alcançou nível de excelência no instrumento. Em seguida passou a se dedicar ao violão, para o qual deixou obra consistente, com belos choros e valsas, além de peças de caráter erudito. Alexandre Gonçalves Pinto, no livro O Choro, afirma: “Gustavo é um grande e valoroso professor de violão. Conhece musica a fundo e assim executa belas peças cheias de harmonias no seu instrumento, que é uma maravilha”.

Ainda em Porto Alegre, em 1921, já era reconhecido como grande instrumentista. É o que demonstra nota publicada no jornal A Federação, de 28 de setembro, ao comentar a participação do violonista na festa promovida pelo bloco carnavalesco Os Batutas no espetáculo que aconteceu em 30 de outubro, no Theatro S Pedro: “A festa constará da representação de uma comédia, cançonetas, um número de cantos carnavalescos e solos ao violão pelo sr. Gustavo Ribeiro, exímio neste instrumento”. (sic)

Em 1924, Gustavo Ribeiro apareceu no noticiário do Rio de Janeiro, então capital da República, numa ligeira apresentação com o já consagrado violonista Levino Albano da Conceição. Tratava-se de um ato variado,   realizado por ocasião da apresentação das peças Revolução Portuguesa e Ceia dos Cardeais, no dia 3 de fevereiro, no Teatro República, no qual Gustavo Ribeiro foi apresentado como discípulo de Levino Albano da Conceição (Correio da Manhã, 3 de fevereiro de 1924).

Dentro da efervescência regionalista que predominava nos espetáculos artísticos daquela época, Gustavo Ribeiro participou da  homenagem a Catulo da Paixão Cearense, no Theatro Municipal de Niterói, em 14 de setembro de 1927. Nessa ocasião, o poeta nordestino recitou A Promessa, de autoria dele; Juvenal Fontes fez imitações sertanejas; e Gustavo Ribeiro se apresentou com Mario José Atilio Milano e Almeida Arthidor. (Correio da Manhã, 14 de setembro de 1927, coluna Vida Social, homenagem, página 6).

Solista de violão

A partir de 1928, Gustavo Ribeiro passou a atuar como solista de violão, músico popular integrante de conjuntos regionais, e professor de violão. Em 2 de julho do mesmo ano, Gustavo Ribeiro realizou no Instituto Nacional de Música, concerto de violão, com a participação de Mozart Araujo (segundo violão) e de Mário de Carvalho Araújo (canto).

No repertório estavam incluídas: Terra Natal, Sonho Gaúcho, Flamengo, Estudo, e Dorita, de Gustavo Ribeiro; Uma Lagrima, de G. Sagreras; Recuerdos de Alhambra, de F. Tárrega; e Marcha Fúnebre, de Chopin; entre outras. (O Imparcial, 3 de julho de 1928, coluna Arte-Música- Theatro).

Gustavo Ribeiro teve atuação importante como professor de violão, lecionando, a partir de 1929, na Casa Cavaquinho de Ouro. Seu aluno mais destacado foi Othon Salleiro.

Paralelamente, Gustavo Ribeiro, já alcunhado de ´exímio violonista´ participou de um grupo de importantes músicos populares envolvidos na temática regionalista, liderado por Patrício Teixeira – no qual também se incluíam Pixinguinha, conhecido como o O Rei da Flauta, e Nelson Alves, chamado de O mestre do Cavaquinho. Embora Teixeira fosse o nome principal do quarteto, por ser o cantor, deve-se considerar a reconhecida excelência de seus coadjuvantes, todos no auge das carreiras.

Isto mostra o prestígio que desfrutava Gustavo Ribeiro junto à nata do choro carioca. A participação ativa nesse grupo lhe proporcionou grande familiaridade com o repertório do choro, certamente o influenciando nas belíssimas composições que criou nesse gênero. Entre o final da década de 1920 e início dos anos 1930, são relevantas as atividades de Gustavo Ribeiro, como se percebe  nas listas abaixo. Mas são desconhecidos os rumos que a carreira do violonista tomou nas décadas seguintes, até sua morte, em 10 de março de 1951, no Rio de Janeiro.  

Gustavo Ribeiro não realizou nenhuma gravação comercial. Foi possível levantar 17 obras de sua autoria (veja lista abaixo), a partir de indicações em apresentações que realizou, publicadas em jornais, e de partituras encontradas no Acervo Jacob do Bandolim, do Museu da Imagem e do Som, ou publicadas na revista O Violão.

 

 Apresentações do quarteto Patrício Teixeira (cantor) - Pixinguinha (flauta) - Gustavo Ribeiro (violão) e Nelson Alves (cavaquinho) entre 1928 e 1931

·         1ª apresentação - Theatro Cassino, em 7 de janeiro de 1928. Constava de três partes, com seis músicas em cada. Pixinguinha solou três músicas; Gustavo Ribeiro, uma; e as demais foram cantadas por Patrício Teixeira. (Correio da Manhã, 04/011928, página 8).

·         2ª apresentação - Theatro Trianon, em 12 de setembro de 1928. Na ocasião, Pixinguinha solou três músicas: os choros Saudade do Retiro, Brincando com a Flauta e Graúna (esta última, de João Pernambuco). Gustavo Ribeiro solou ao violão duas composições próprias: Violão Zangado e Pensando no Futurismo, enquanto Nelson Alves solou, de sua autoria, Cavaquinho de Ouro. As demais foram cantadas por Patrício Teixeira. (Correio da Manhã, 12/09/1928, página 10).

·         3ª apresentação - Theatro Lyrico, em 26 de janeiro de 1929. Pixinguinha solou 6 músicas: Retiro dos Inocentes, Brincando com a Flauta, Sabiá, Sempre Brincando, Improvisando e Os Segredos do Patrício. Gustavo Ribeiro solou ao violão, de autoria dele, Dorita (mazurka) e Violão Zangado. Nelson Alves solou ao cavaquinho composição própria: Serpentina. As demais músicas foram cantadas por Patrício Teixeira. (Correio da Manhã, 26/01/1929, página 5).

·         4ª apresentação - Cine Theatro Imperial, em Niterói em 27 de abril de 1929. Interpretaram 15 músicas.

·         5ª apresentação - Cine Theatro Imperial, em Niterói, em 4 de maio de 1929

·         apresentação - Theatro Trianon, em 22 de agosto de 1929.

·         apresentação - A maratona continuou em 1930, com o mesmo repertório: a 8 de fevereiro de 1930, no Theatro Lyrico, ocorreram duas novidades: a colaboração da Orquestra Victor Brasileira e a integração de um novo integrante ao grupo: o violonista Tute (Arthur de Souza                                                           Nascimento).

·         8ª apresentação – Novamente no Theatro Lyrico, em 17 de setembro de 1930, o grupo se apresenta com as participações de Luperce Miranda  e Manoel Lino.

·         apresentação - Finalmente, em 24 de janeiro de 1931, no mesmo local, aconteceu mudança radical: ocorreu espécie de festival regional, ao qual se agregou artistas como Augusto Calheiros, Francisco Alves, Donga, Tute e Augusto Soares.

 

Principais programa de rádio com participação de Gustavo Ribeiro:

           1.    Rádio Sociedade do Rio de Janeiro: Programa de música típica. Uma das atrações era o Conjunto Portenho, formado por Narciso Araújo (bandola), Tinoco Filho (violão), Gustavo Ribeiro (violão) e Milonguita (canto). (Correio da Manhã,  7 de março de 1929, página...).

           2.    Rádio Sociedade do Rio de Janeiro: Programa de música com as seguintes atrações: Anna de Albuquerque Mello; Jessy Barbosa; Catulo da Paixão Cearense; Gastão Formenti, João Pernambuco; Luperce Miranda; Narciso Ferreira de Araújo; Tinoco Filho; Gustavo Ribeiro e Antônio Gomes. (Correio da Manhã, 15 de março 1929, página 6).

          3.    Rádio Sociedade do Rio de Janeiro: Música típica no estúdio, com Januário de Oliveira e os Desafiadores do Norte, composto por Romualdo Miranda, João Miranda, Gustavo Ribeiro e Álvaro Lima.

          4.    Rádio Sociedade Philips do Brasil: Das 20 às 23 horas, Programa Casé, com participação de várias atrações, entre elas, Gustavo Ribeiro, Othon Salleiro, Donga e José Augusto de Freitas. (Jornal do Brasil, 10 de março de 1932, radiotelefonia, página 10).

          5.    Rádio Sociedade Fluminense, 1935 – São as últimas atuações de Gustavo Ribeiro em programas radiofônicos, de que temos conhecimento

 

Nos palcos:

         1.    Homenagem a Catulo da Paixão Cearense - Theatro Municipal de Niteroi, em 14 de setembro de 1927. Nesse evento, o homenageado recitou o poema A Promessa; Juvenal Fontes fez imitações sertanejas; e os tenores Oscar Gonçalves e Benjamin Ascury e o barítono Alexandre Aguiar se exibiram. Além de Gustavo Ribeiro, também participaram do espetáculo Mário José, Atílio Milano e Almeida Arthidor.

          2.    Primeira Feira de Amostras do Distrito Federal – de 30 de junho a 5 de Julho de 1928. Na programação, além de Gustavo Ribeiro, se apresentaram os violonistas Mário Araújo e Luiz Simões Lopes. (O Paiz, 30 de junho de 1928, página 4).

          3.    Festa da Falange Feminina no Clube de Regatas Flamengo - em 7 de junho de 1928. No programa lítero-musical, Gustavo Ribeiro apresentou, em solos de violão, as seguintes músicas de sua autoria: Sonho Gaúcho e Dorita.

         4.    Festa Artística Regional - organizada por Gustavo Ribeiro, em 28 de outubro de 1933, em benefício do Abrigo Francisco de Assis, em Vila Isabel. Tal evento, ocorrido no salão da instituição beneficiada, teve participação dos cantores Álvaro Lima, Adália Sodré, Jocelina Rabelo da Silva, Olga Jacobina, Lea Sodré e dos violonistas Yvone Rabelo da Silva e José Rabelo da Silva (Zé Cavaquinho). O organizador do evento solou ao bandolim a marcha Papai, vamos à Penha e Álvaro Lima cantou o samba-canção de Gustavo Ribeiro, Ilusões. Yvone e José Rabelo da Silva apresentaram várias peças ao violão, e Patrício Teixeira encerrou a festa cantando três números. (Jornal do Brasil, 24 de outubro de 1933, página 15).

        5.    Festa Regional do Club Municipal - em 16 de novembro de 1935. Entre outras atrações, Gustavo Ribeiro participou apresentando solos de violão. (Jornal do Brasil, 16 de novembro de 1935, página 6).

 

Composições de Gustavo Ribeiro:

1.    Annecy. Valsa, partitura Acervo Jacob-MIS.

2.    Assim é a Vida. Valsa, partitura Acervo Jacob-MIS.

3.    Catando Pimenta. Choro, partitura Acervo Jacob-MIS.

4.    Choro em Mi Menor. Partitura Acervo Jacob-MIS.

5.    Crisântemo. Choro, partitura Acervo Jacob-MIS.

6.    Deslizando. Choro, partitura Acervo Jacob-MIS

7.    Dorita. Mazurka.

8.    Enxame de Abelhas. Estudo.

9.    Estudo, op20 (Deslizando). Revista O Violão

10. Flamengo. Choro, partitura Acervo Jacob-Museu da Imagem e do Som (MIS).

11. Ilusão. Samba-canção.

12. Papai, Vamos à Penha. Marcha.

13. Pensando no Futurismo.

14. Presunçoso. Choro.

15. Sonho Gaúcho.

16. Terra Natal.

17. Violão Zangado. Choro).

 

Referências bibliográficas:

Enciclopédia da Música Brasileira: Erudita, Folclórica e Popular (São Paulo, Art Editora, 1977, página 657)

Alexandre Gonçalves Pinto, O Choro (Funarte, 2009. Página 109):