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Geraldo Ribeiro

Nascimento: 17/06/1939

Natural de: Mundo Novo (BA)

Um dos violonistas brasileiros mais importantes, foi o primeiro a resgatar Garoto e Armando Neves e pioneiro no ensino superior de violão

Imagens

Discografia

Por Gilson Antunes

Um dos violonistas brasileiros mais importantes do século 20. Seus discos são fundamentais para a história do instrumento, pois sempre apresentaram repertório diferenciado de qualquer outro violonista. Foi o primeiro, por exemplo, a resgatar obras de compositores como Garoto e Armando Neves, seja gravando discos inteiramente dedicados a eles ou escrevendo peças desses autores em partitura.

Geraldo Ribeiro é também importante por ter desenvolvido um repertório clássico para a viola brasileira, interpretando peças e transcrições como as de Theodoro Nogueira, além de ter divulgado um repertório pouco conhecido do repertório clássico mundial.

Filho dos lavradores Onofre Ribeiro da Silva e Mariá Lopes da Silva, Geraldo Ribeiro da Silva nasceu em Mundo Novo, no sertão da Bahia, próximo à parte norte da Chapada Diamantina. Garoto prodígio, iniciou-se na música de maneira autodidata, através de métodos de viola caipira. O pai havia conseguido uma viola e outros instrumentos como gaita, além de uma vitrola com 45 discos, entre eles um de Mozart Bicalho. A partir daí o interesse do menino pelo violão se consolidou.

Mudou-se ainda muito jovem para Assis, no interior de São Paulo, onde começou a estudar teoria, solfejo e outras atividades com o maestro de banda Augusto Matias, por volta de 1952. Três anos depois, seguiu para a capital paulista, quando teve aulas com um dos mais requisitados professores de violão da capital: Oscar Magalhães Guerra.

Estudou também matérias teóricas, harmonia e composição com um dos grandes compositores brasileiros: Ascendino Theodoro Nogueira, um aluno de Camargo Guarnieri que ganhava destaque por suas músicas instrumentais, camerísticas e orquestrais.

Nazareth e Barrios

Em 1959 estreia em disco com Geraldo Ribeiro Interpreta Nazareth e Barrios, pela RCA Victor, hoje considerado o melhor disco de violão clássico lançado no Brasil até aquela data. Gravado 15 anos após a morte do compositor paraguaio, este LP marca definitivamente Geraldo Ribeiro no rol dos grandes violonistas brasileiros de todos os tempos. Se ele não tivesse produzido mais nenhum outro fonograma, ainda assim já entraria para a história do violão mundial.

A interpretação de La Catedral, que fecha o disco, é ainda hoje considerada referencial em todo o mundo. Além disso, as transcrições que Geraldo fez para Agustin Barrios e Ernesto Nazareth, permanecem atualmente como modelo a outros arranjos. Nas sessões de estúdio, ele utiliza violão Di Giorgio e cordas La Bella.

Noite de Gala

Em 1961, Geraldo Ribeiro lotou o Teatro Municipal de São Paulo, no recital Violão em Noite de Gala, que foi gravado e lançado em disco duplo homônimo, com repertório formado por transcrições de obras de grandes compositores, como o italiano Paganini (Moto Perpétuo), peças originais para violão (Estudo de Concerto, de Agustin Barrios) e temas autorais (Acauã). O célebre violonista Dilermando Reis costumava viajar do Rio de Janeiro até São Paulo apenas para ouvir Geraldo Ribeiro tocar em recitais.

Por volta dessa época, o violonista baiano já possuía repertório de mais de 200 músicas que tocava de memória. Algumas delas podem ser ouvidas em gravações particulares que realizou para o colecionador Ronoel Simões, mas que nunca lançadas comercialmente em disco, apesar de possuírem qualidade técnico-musical altamente profissionais.

Theodoro Nogueira

Em 1966, Geraldo lançou outro LP histórico: Seis Brasilianas de Theodoro Nogueira. Esse disco inclui ainda a transcrição do próprio compositor para o Canto Caipira nº 5 e Ponteio, ambas originais para piano. Estão entre as primeiras gravações de obras para violão de Nogueira, que infelizmente estão esquecidas atualmente. Segundo o compositor, o disco foi gravado em poucas horas e praticamente não há cortes de edição. Cerca de 200 exemplares desse disco foram presenteados a leitores da histórica revista Violão e Mestres daquele ano. Seriam contemplados apenas aqueles que respondessem a uma pergunta básica sobre a vida do músico Tárrega.

Entre os interessados em receber o disco estavam violonistas do nível de Alírio Diaz, Miguel Angel Girollet, José Duarte Costa (de Portugal), Yasumasa Obara (Japão) e o uruguaio Abel Carlevaro, além de muitos dos principais violonistas brasileiros daquela época (Milton Nunes, Nelson Anderáos, Julieta Corrêa Antunes, Mozart Bicalho, Luperce Miranda, Paulinho Nogueira, José de Oliveira Queiroz e Jodacil Damaceno). Isso demonstra o respeito que os músicos tinham pelo trabalho de Geraldo Ribeiro, que contava então com apenas 25 anos de idade.

Armandinho

Em 1970, mais uma glória para a discografia brasileira do violão: Geraldo Ribeiro lança um LP totalmente dedicado às obras do então esquecido violonista Armando Neves, que conheceu por meio de Romeu Di Giorgio em 1959. Geraldo chegou a morar com Armandinho entre 1959 e 1960. Além de escrever partituras desse compositor, que não sabia ler por música, registrou belíssimas interpretações de obras que aos poucos estão ganhando o mundo. As peças de Armandinho foram gravadas recentemente por violonistas do calibre de David Russell e Paola Pichersky, que, inclusive, escreveu um trabalho de pós-graduação sobre o compositor.

Bach em viola caipira

No ano seguinte, Geraldo Ribeiro fez algo quase inacreditável. Gravou dois discos referenciais no mesmo dia. O primeiro continha novamente obras de seu ex-professor Theodoro Nogueira: de um lado os 12 Improvisos – uma das obras mais interessantes do repertório brasileiro, que ainda não recebeu um revival – e, do outro lado, nada menos que o Concerto para Violão e Orquestra.

Em seguida, o violonista largou o violão e gravou o disco Bach na Viola Brasileira, com transcrições de obras como a Chaconna para viola, realizadas por Theodoro Nogueira. Com isso, Geraldo Ribeiro foi um dos que tentaram inserir esse instrumento nas salas da música de concerto, o que parece ainda não ter ocorrido. Outro violonista que também tentou foi o paulista Carlos Barbosa Lima, que igualmente gravou obras de Theodoro Nogueira na viola brasileira. O instrumento utilizado no disco foi fabricado por Rômulo Di Giorgio na Fábrica Giannini, baseado num modelo folclórico brasileiro.

Garoto

Em 1980 gravou, em apenas dois dias, mais um LP histórico: Garoto, no qual novamente ajudou a divulgar e restabelecer o nome desse violonista e compositor, que por aquela época ainda estava esquecido e até então nunca havia merecido um disco dedicado. No mesmo período, Geraldo também foi o primeiro a escrever uma série de songbooks com partituras de Garoto.

Hoje o nome de Garoto está presente no repertório dos grandes violonistas no Brasil e no exterior. Mas foi Geraldo Ribeiro um dos primeiros a perceber a genialidade do compositor paulista, que é considerado o pai do violão moderno. O disco Garoto é o único de Geraldo a ser lançado também em CD.

Pioneiro no ensino superior

Como professor, a trajetória de Geraldo Ribeiro também é singular, pois foi o primeiro brasileiro a ensinar violão em curso superior, em 1966, quando se mudou para Brasília, onde recebeu o título de Notório Saber, e integrou o corpo docente da Universidade Nacional de Brasília (UNB), até 1968, quando teve de se afastar, junto com outros professores, devido ao aumento da repressão da ditadura militar. Em seguida, ensinou violão na Escola de Música de Brasília até 1975. Depois de passar um breve período nos Estados Unidos, Geraldo retornou ao Brasil e foi professor do Conservatório de Tatuí, no interior de São Paulo, de 1983 a 2008, onde se aposentou.

Em 2009, a Universidade de São Paulo (Usp), com a realização do Festival Leo Brouwer, homenageou Geraldo Ribeiro, que fez uma bela apresentação para um auditório lotado de violonistas e admiradores, entre eles o próprio homenageado, o cubano Leo Brouwer. O encontro de ambos, numa palestra sobre a vida e a obra de Geraldo Ribeiro marcou época no violão brasileiro.

Atualmente Geraldo Ribeiro segue carreira como concertista e é compositor de mais de 280 obras que incluem peças solo, música de câmara com violão, e até concertos para violão e orquestra. Algumas dessas obras foram publicadas pelas editoras Ricordi e Di Giorgio, mas a maioria permanece em manuscrito. O estilo composicional é uma mescla de música romântica tardia, música rural e contraponto modal nacionalista.

Link: www.geraldoribeiro.com

 

Discografia:

Geraldo Ribeiro Interpreta Nazareth e Barrios (1959)

Violão em Noite de Gala (1961)

6 Brasilianas de Theodoro Nogueira (1966)

Armando Neves (1970)

Concerto para violão e orquestra e 12 improvisos de Theodoro Nogueira (1971)

Bach na Viola Brasileira (1971)

Garoto (1980)

 

Musicografia:

VIOLÃO SOLO

A “Guitarra” - prelúdio n. 1

A “Guitarra” – prelúdio n. 2

A “Guitarra” Ritmada - prelúdio n. 3

A “Guitarra” - prelúdio n. 4

A “Guitarra” - prelúdio nativo n. 5

A Canoa Virou

A Lembrança

A Tristonha Menina

Arrebol do Nordeste

As Alegres Lavandeiras

As Borboletas Coloridas – valsa

Bandinha da Praça – marcha humorística

Branca Flor – valsa

Brasileira n. 1

Brinquedo Sonoro

Caboclinha

Canção

Canção Chorosa

Canção para uma Pessoa Viva

Canhoto – choro Cantiga de Ninar

Cantiga de Ninar para Alguém

Cantiga n. 3

Cantiga n. 4

Canto Meditativo n. 1

Canto Meditativo n. 2

Canto Popular - Dama Carioca

Canto Popular n. 5

Canto Sereno

Cateretê do Mato Grosso

Chegança

Chorinho

Chorinho dos Dois Irmãos

Chorinho Esquecido

Contemporaneidade – postlúdio

Conversando – samba estilizado

Cumprimentando – choro

Divertida no. 1

 

Estudos Virtuosísticos

Estudo n. 1 - “Os Incas” (em trêmulo não tradicional em lá bemol maior)

Estudo n. 2 – Para mão esquerda só (em fá sustenido maior)

Estudo n. 3 – Aberturas (em lá menor)

Estudo n. 4 – Em ligados com dedos presos (em dó menor)

Estudo n. 5 – Paganini (de velocidade em lá menor)

Estudo n. 6 – Bach (em arpejo de extensão em mi menor)

Estudo n. 7 – Aguado (em trinados contínuos)

Estudo n. 8 – Koellreutter (para vibrato)

Estudo n. 9 – Villa-Lobos (em fá menor em arpejo contínuo)

Estudo n. 10 – Impressões (em mi menor em ligados)

Estudo n. 11 – Flores Agrestes (em trêmulo em sol maior)

Estudo n. 12 – Essência do Jazz

Estudo n. 13 – Zanon (em lá maior)

Estudo n. 14 – Sinistras Badaladas de um Velho Sino

Estudo n. 15 – Força Motriz (em si maior para velocidade)

Estudo n. 16 – Horizontal (para mãos cruzadas em fá menor)

Estudo n. 17 – Clássico (em ré menor)

Estudo n. 18 – As Estrelas (harmônicos naturais)

 

Embolada

Evocação Flamenca n. 1

Evocação Flamenca n. 2

 

Fantasia sobre Temas Folclóricos Gaúchos

I. Prenda Minha

II. Balaio

III. Quero Mana

 

Graciosidade

I Canção de Dezembro

I Canto Popular

 

Igarapês de Manaus

II Canção de Dezembro

II Canto Popular

Imitações (mãos cruzadas)

Impressões Populares (mãos cruzadas)

Improvisação sobre tema de A. N.

Inflexão Melódica

Instropecção

Jesus

Lourinha - canção

Mãe e Filho – modinha (do folclore paulista)

Matias – choro

Maxixe – solo

Meiguice Morena

Menino Sonhador

Meu Violão

Mistério – prelúdio

Moderno – choro (para solo)

Momento de Improviso

Moreninha – samba-canção

O Interior e a Seresta

O Menino Repentista

O Sonho de Inã – canto popular

O Teu Cantarolar

O Vento e as Palmeiras – descritivo

Ode a Nazareth

Ode a Pixinguinha

Ode a Radamés

Ode a Segóvia

Odilia – valsa-choro

Pássaro Cantor – descritivo

Peixe Vivo

Pensamento Elegíaco – n. 1

Pensamento Elegíaco – n. 2

Perdida – valsa

Pernambuco – choro

Ponteado da Paraíba

Ponteado da Violinha

Ponteadinho Paulista

Ponteio

Prelúdio e Tocata (sobre o Tema Mineiro, Tin Tin)

Prelúdio sobre Motivo de Tarrega

 

Quatro Peças para Violão

Tarrega Preludio

Canto Seresteiro

Cantiga

Improviso

Rabuny – choro

 

Reminiscências (suíte popular n. 6)

Terna Lembrança – modinha

Canhoto – choro

Branca Flor – valsa

Maxixe

Romântico Complementar

 

Românticos

Romântico n. 1 – em mi maior

Romântico n. 2 – em sol sustenido menor

Romântico n. 3 – em mi maior

Romântico n. 4 – em si maior

Romântico n. 5 – em dó maior

Romântico n. 6 – em fá sustenido menor

Romântico n. 7 – em lá maior

Romântico n. 8 – em sol maior

Romântico n. 9 – em fá maior

Romântico n. 10 – em mi maior

Romântico n. 11 – em fá sustenido maior

Romântico n. 12 – em ré maior

Romântico n. 13 – em mi bemol maior

Romântico n. 14 – em sol maior

Romântico n. 15 – em si maior

Romântico n. 16 – em fá maior

Romântico n. 17 – em fá maior

Romântico n. 18 – à memória de Aníbal Augusto Sardinha (Garoto) – em mi bemol maior

Romântico n. 19

Romântico n. 20 – em sol maior

Romântico n. 21

Romântico n. 22 – em ré maior

Romântico n. 23

Romântico n. 24 – em sol maior

Romântico n. 25 – O Repouso e A Alegria (em mi maior)

 

Saltadinho

Samba Lelê

São João Dararão

Serenata para Dilermando

Seresta n. 1

Seresta n. 2 – Serenata Brasília

Seresta n. 3

Seresta n. 4

Serrote

 

Sete Cantigas de Roda

I. A Roseira

II. Carneirinho Carneirão

III. Sapo Jururu

IV. Acordei de Madrugada

V. Bam-ba-la-lão

VI. Tutu Marambá

VII. Giroflê

 

Soldadinho Travesso

Sonata Romântica – à Memória de Nicoló Paganini

Sonatina do Sudeste

Sossego n. 1

Sossego n. 2

Sozinha – valsa

 

Suíte Popular n. 1

I. Choro

II. Divertida

III. Choro

 

Suíte Popular n. 2

I. Moderado - seresta

II. Ritmado – samba rural

III. Saudoso – valsa

IV. Vivo – londu

 

Suíte Popular n. 3

I. Ponteado

II. Toada

III. Dança

 

Suíte Popular n. 4 – à memória de Dilermando Reis

I. Choro

II. Toada

III. Choro

 

Suíte Romântica n.5 - Influências

Suspendo Nossa Bandeira

Tempo de Maracatu

Terna Lembrança – modinha solo

Toada

 

Três Peças para Violão

Cantilena

Toada

Canção

 

Último Pensamento de bairros

Vagaroso à Maneira de Viola

Variações - canção e final

Vicentinho, Sua Sanfona e o Rojão n. 2

Vicentinho, Sua Sanfona e o Rojão n. 1

Violinha de Brinquedo – toada

Vivo

Zé Batista “O Carioca” - maxixe

Zezinha – polca

 

QUARTETO DE VIOLÕES

Brasileira n. 2

Canto Popular - Dama Carioca

Conversa de Brasileiro

II Canção de Dezembro

Meiguice Morena

Serenata para Dilermando

 

 

CANTO E VIOLÃO

Bicicleta (letra de Cassiano Nunes)

Canção do Amor Tranquilo (letra de Cassiano Nunes)

Encontro (letra de Geraldo Ribeiro)

Estrangeiros (letra de Cassiano Nunes)

O Grito (letra de Claver Filho)

O Horizonte (letra de Geraldo Ribeiro)

Praia Deserta (letra de Geraldo Ribeiro)

 

DUOS DE VIOLÃO

Canção para uma Pessoa Viva

Divagações Chorosas n. 1

Inflexão Modinheira

Ponteadinho da Minha Terra

 

VIOLÃO E CORO MISTO

Momento Evocativo (letra em português de Carlos Gomes e palavras esparsas em Tupi)

Tardia Recompensa

 

CANTO E PIANO

O Horizonte

 

VIOLINO E VIOLÃO

Inflexão Modinheira

Ponteadinho da Minha Terra

 

VIOLINO E PIANO

Divagações Chorosas n. 1

Inflexão Modinheira

Ponteadinho da Minha Terra

 

VIOLÃO E PIANO

Divagações Chorosas n. 1

Momento de Improviso

Suíte no. 5 (popular)

 

TRIO

Trio de Violões

 

DUO DE VIOLÕES E BANDA

Fantasia para 2 violões e banda e redução, sobre temas de Carlos Gomes

 

OBRAS DIDÁTICAS

Método de Violão para Iniciantes

Método de Viola Brasileira

56 Exercícios para Técnica Expressiva ao violão, em forma de prelúdios, estudos etc.

 

VIOLÃO E ORQUESTRA

Concerto Informal com redução

Divagações Chorosas n. 2 – com violão obliguato

Harmonias Brasileiras – concerto com redução

 

DUO DE VIOLÃO E PIANO

Lembranças do Garoto – Fantasia

 

VIOLINO E CORDAS

Divagações Chorosas para violino com acompanhamento de cordas

 

PIANO

Pequenas peças para piano

Tatuiana n. 1

Tatuiana n. 2

Tatuiana n. 3

Tatuiana n. 4

 

QUINTETOS

Quinteto para violão, viola, clarineta, trompa e fagote