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Outubro Rosa invade o portal do Violão Brasileiro

Postado em Coluna Elcylene Leocádio em 11/10/2016

Não é todo dia que recebemos uma música em nossa homenagem. Não é todo dia que dizem sermos simples e sofisticadas como as coisas do sertão pernambucano. Sou de Quipapá, Mata Sul de Pernambuco,  mas virei sertaneja na mesma hora em que Caio Cezar, maestro, compositor, intérprete, e ainda mais meu amigo de infância, disse que esta era a minha origem. A mãe de Caio, D. Ceça, teve câncer de mama e eu também.  Caio decidiu homenagear o jeito simples de lidarmos com o problema e compôs o choro Quipapá Maraial (título formado por nomes das cidades onde eu e ela nascemos).

A primeira audição desta música foi no show de lançamento do Acervo Digital do Violão Brasileiro no Teatro Rival, no Rio de Janeiro, em 14 de agosto de 2014, do qual Caio Cezar participou. Ele nos diz que a segunda parte da música é inspirada na cultura musical nordestina, com o baixo pedal em Mi e toda uma movimentação harmônica acontecendo em torno disso. Mas é possível ver na composição pitadas da influência musical de Guinga.

Engenheiro químico, como meus três irmãos, Caio não seguiu a carreira. A música ganhou. O violão brasileiro ganhou. Não é por generosidade que digo gostar do seu estilo e apreciar o talento de maestro e instrumentista. Os prêmios nacionais recebidos por Caio Cezar lhe atestam qualidade no trabalho solo e como integrante do Trio de Câmara Brasileiro. Assim como o reconhecimento de outros artistas, a exemplo de Egberto Gismonti, que escreveu o elogioso encarte do CD Acariocamerata, disco gravado por jovens do Acari, Zona Norte do Rio de janeiro, a quem Caio Cezar deu aulas de música durante sete anos. Tempo maior do que passei na faculdade estudando medicina.

Com o lançamento deste vídeo, o Acervo Digital do Violão Brasileiro entra na campanha de divulgação do livro Outubro Rosa: do muito que há por ser dito, de minha autoria. Nele eu falo de coisas simples do dia a dia, do que vivi durante o tratamento de um câncer de mama que tive em 2014.

O livro é a primeira ação do projeto Nu Espelho, cuja aposta é que a detecção precoce e o tratamento bem sucedido do câncer de mama têm mais chance de dar certo, se em vez de falarmos do medo e das mortes pela doença, dirigirmos nossas energias para mostrar que podemos voltar a ser saudáveis depois do câncer; que podemos ampliar os efeitos dos tratamentos convencionais com as práticas complementares, como Reiki e Acupuntura, por exemplo; que não precisamos de forças extraordinárias, mas sim olharmos a doença como ela é para lidarmos melhor com os tratamentos, que são longos e exigem muita dedicação de nossa parte.

O projeto Nu espelho acredita no autocuidado, no prazer de viver e na mistura entre vida e arte como estratégias de promoção da saúde e da felicidade. E pretende criar uma rede – informada – de conversas; apoiar a formação de voluntárias e voluntários que trabalham com pessoas com câncer; oferecer acompanhamento a pessoas com câncer e familiares ou amigos. O público alvo do projeto inclui – especialmente – pessoas de baixa renda, que poderão ter acesso aos serviços prestados com apoio de um grupo de madrinhas, já em construção.

Apostando neste projeto, convidamos a todos os seguidores e seguidoras do Acervo Digital do Violão brasileiro a contribuírem com a campanha de arrecadação de fundos para, juntos, tirarmos do papel, o projeto NU ESPELHO. 

Apoie a campanha do projeto Nu Espelho. Decida quanto livros você quer ganhar e faça sua doação no linkhttp://bit.ly/NuEspelhoKickante

As mulheres agradecem.

 

Tags: Caio Cezar