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Inscrições para o Concurso Novas 4 estão abertas até 30 de agosto

Postado em Concurso Novas em 10/08/2019

(Sergio Assad)

Por Alessandro Soares

Basta passar o olho na contracapa dos três CDs já produzidos pelo Concurso Novas e constatar. Aquelas bolachas mostram uma boa parte do que há de mais inventivo em termos de música brasileira para violão solo e suas tendências em variados estilos. Não por acaso, é a única competição do país dedicada à composição para o instrumento. E além de reconhecer o mérito artístico dos selecionados, o projeto viabiliza a gravação profissional de disco digital, a edição de partituras e a ampla divulgação das obras.

Quem deseja desengavetar criações inéditas ou compor do zero uma obra pra concorrer, a hora é esta, pois as inscrições para a quarta edição do Novas estão abertas até 30 de agosto, por meio da seção Concurso Novas do Portal Acervo Digital do Violão Brasileiro

(Marco Pereira / crédito: Thaís Gallart)

O júri do concurso é formado por figuras consagradas do violão mundial, como Sérgio Assad, Marco Pereira, Fábio Zanon e Elodie Bouny, idealizadora e diretora do projeto. Uma das novidades desta edição é a presença de um quinto jurado - o violonista e arranjador Paulo Aragão (integrante do Maogani).

Para se ter ideia, desde quando foi criado em 2011 até agora, o Novas ajudou a revelar uma geração de ótimos compositores da atualidade, a exemplo de Jean Charnaux, Chrystian Dozza, Carlos Walter, João Camarero, Thiago Colombo e Daniel Murray. Também estimulou intérpretes experientes a se dedicarem mais ao campo da criação, como Marcello Gonçalves e Tabajara Bello. 

Como se inscrever

A taxa de inscrição é de R$ 90, que permite ao compositor apresentar até duas músicas para violão solo (cordas de nylon) de seis ou mais cordas, incluindo qualquer tipo de scordatura (afinação). Quanto à duração, cada obra deverá ter pelo menos 2:30 ou até 10 minutos, podendo haver mais de um movimento.

A preparação dos arquivos é simples. É só filmar a música em vídeo postado no Youtube (em canal aberto ou fechado), contendo no título do vídeo as palavras: Concurso Novas 4. A qualidade e a produção do vídeo não são muito relevantes se o áudio for de boa qualidade. Também é necessário elaborar uma partitura em formato PDF. A escrita de cifras ou tablaturas não serão aceitas.

Perfil dos candidatos

O perfil do candidato é o mais abrangente possível, não havendo limite de idade para participar da seleção. Os estrangeiros que residam no Brasil no momento da inscrição também podem se inscrever. E os compositores não-violonistas também são contemplados. Quem não estiver com a técnica do instrumento em dia ou não souber tocar, pode solicitar a um colega violonista para filmar a peça.

Mas não serão aceitas obras já publicadas ou gravadas comercialmente. Ou seja, partituras editadas em livro ou avulsas (mesmo de editoras independentes) ficam de fora do concurso. Também não são válidas músicas que já estejam disponíveis em plataformas digitais (como Spotify, Tidal ou Deezer). Por outro lado, o concurso permite inscrever uma música que já tinha sido lançada com arranjo de banda, desde que seja feito um arranjo inédito para violão solo.

(Fábio Zanon / crédito: Elisa Gaivota)

Recompensas

Ao todo serão selecionadas em torno de 60 minutos de música. As obras escolhidas serão gravadas no CD digital Novas 4 - Música Brasileira para Violão. Os compositores das três peças mais pontuadas receberão cachês de R$ 2 mil (primeiro lugar), R$ 1.500,00 e R$ 1 mil (segundo e terceiro, respectivamente).

Para gravar o disco, os compositores irão para um estúdio no Rio de Janeiro, sob direção musical de Elodie Bouny. Também vão ser produzidos videoclipes em estúdio com esses três compositores, que serão amplamente divulgados nos canais do Concurso Novas e do Acervo Digital do Violão Brasileiro.

   

OUÇA FAIXAS SELECIONADAS DOS CDS DO CONCURSO NOVAS

Além disso, todos os selecionados para o CD digital do concurso serão perfilados em reportagens ou entrevistas para o Blog do Acervo Digital do Violão Brasileiro. As partituras das obras selecionadas também estarão disponíveis nesses mesmos canais.

Fundo da gaveta

Em entrevista ao Acervo, Paulo Aragão que o Novas é muito mais do que o único concurso de composições para violão do Brasil, na atualidade, pois celebra uma produção musical intensa, que floresce nos quatro cantos do país, através de seu instrumento mais popular. “Ouvindo as músicas das últimas edições do concurso, ficamos a pensar quantas composições não ficaram no fundo de gavetas ou restritas a seus autores, nos últimos tempos”. Aragão destaca que o Novas é um painel generoso que abre portas e que faz o que de melhor tem sido feito para o violão se encontrar e se alcançar ouvidos ávidos por essa produção.

(Paulo Aragão)

Para Yamandu Costa, em depoimento para a campanha do concurso, o Novas é um presente que o violão brasileiro recebe, especialmente no cenário atual do país. “O violão nunca teve um leque tão amplo de referências como tem hoje, de gente tão boa tocando. O Novas é uma oportunidade de fazer com que uma geração nova se conheça, que a turma comece a se frequentar mais, independente do lugar onde esteja nesse país”.

Segundo Sergio Assad, também em entrevista ao Acervo, o Novas é uma iniciativa maravilhosa e traz à tona o que está acontecendo em produção musical no Brasil. “O único concurso de que me lembro ter ocorrido em termos de produção musical foi promovido pela Funarte, nos anos 1980, cujas obras gravei em LP. Aquele foi um caso isolado até ocorrer o Novas, que ajuda muita a quebrar o isolamento, a divulgar obras, estimular novos compositores, canalizando tudo num centro só. Assim temos uma visão mais geral, pois o Novas abrange todas as tendências e vertentes de música produzida para violão no Brasil”.

A primeira edição do Concurso Novas foi realizada em 2011, com 37 inscritos. Na segunda, em 2014, esse número praticamente dobrou, foi para 72, e na terceira, em 2016, chegou a 160. Nos três discos do projeto já foram gravadas 44 peças inéditas para violão solo. O disco da quarta edição será lançado no final de 2019.  

(João Camarero / crédito: Renan Perobelli)