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Coronavírus impõe silêncio desolador nas ruas de Granada

Postado em Coronavírus em 21/03/2020

Coronavírus impõe silêncio desolador nas ruas de Granada - violonista Marcus Toscano

(Marcus Toscano no Castelo de Alhambra / crédito: Carmem Martires) 

Por Marcus Toscano*

Aterrissei no Aeroporto de Madrid em 6 de março, quando havia 300 infectados pelo novo coronavírus. No dia 8 de março permitiram uma grande manifestação nacional em prol dos direitos das mulheres, que somada à lentidão do governo em parar o país com a quarentena, levou a uma situação incontrolável: leitos e equipamentos necessários para ajudar na respiração dos pacientes entraram em colapso total em curta fração de tempo.

Neste sábado (21/03) temos cerca de 25 mil casos oficiais e mais de 1.300 mortos. E temos de multiplicar esses 25 mil por 10 ou 15 vezes, porque muitas pessoas ainda não sabem que estão infectadas com o vírus. Hoje passo por um isolamento forçado em Granada.

As ruas estão completamente vazias, num silêncio desolador. A ordem é clara: quem passear na rua, sem ser pelo motivo básico de comprar comida em supermercado, ir à farmácia ou mentir será multado. E quem não entender vai preso, em cadeia, especialmente se estiver em grupo. Só se pode andar na rua sozinho a um metro e meio de distância entre uma pessoa e outra.

Recebi via Whatsapp áudios de amigos do País Basco (norte da Espanha) em pânico com 15 familiares enfermos, que relataram viver um filme de horror de tanto medo. Inclusive pessoas entre 30 e 40 anos de idade em estado grave. Um jovem de 21 anos, por exemplo, faleceu em Málaga. Dois policiais de 36 anos também morreram em Madrid.

A Espanha demorou duas semanas para tomar medidas para inibir o surto da pandemia. Espero que cada um possa fazer sua parte no Brasil.

 

*Marcus Toscano é um violonista brasileiro que mora na Espanha há sete anos

**Este texto foi publicado originalmente no Facebook e atualizado e editado para o Acervo Violão Brasileiro