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Carlos Walter lança Calendário do Afeto, seu primeiro CD solo

Postado em Lançamentos em 18/09/2015

Reconhecido por seu virtuosismo musical, Carlos Walter lança o CD/E-Songbook Calendário do Afeto: suíte para violão solo com 9 movimentos alusivos aos meses de gestação; áudio, partituras, cifras e tablaturas. O trabalho narra musicalmente as fases da gestação até o nascimento do seu filho, Pedro. O CD é acompanhado por um livro digital de partituras, cifras, tablaturas e trechos de citações literárias que dialogam com esse universo da maternidade e da paternidade.

Cada tema conta uma história. Os movimentos têm ritmos genuínos (valsa, fantasia, baião, bossa nova, choro) e híbridos (como os neologismos salsamba, marcha-tango, semifrevo). Subtítulos e exposições de motivos repletas de homenagens, lembranças, influências e personagens do real-imaginário do violonista-compositor, que intentam decodificar o pleno e intraduzível amor incondicional desse discurso musical de boas vindas ao filho primogênito (que faz participação especial no CD, por meio de risadas/choro e batimento cardíaco extraído de uma ultrassonografia). Ouça faixas selecionadas do disco clicando aqui

O projeto gráfico foi desenvolvido por Leonora Weissmann e Júlio Abreu e a gravação foi realizada por Joao Ferraz no estúdio Lontra Music, com assistência de Marcos Frederico e direção musical de Elodie Bouny.

Professora da escola de música UFRJ, a violonista e compositora Elodie Bouny considera Calendário do Afeto uma ode ao amor paterno. “Carlos é detentor de uma prosa musical potente e original, e este primeiro registro (o primogênito) é uma declaração autêntica e profunda da expressão mais íntima e sincera que ele pode dar. Por outro lado, é um depoimento maduro e uma homenagem ao ser mais amado, uma linda mensagem de amor em forma de música”, afirma a musicista, que assina, ao lado de Yamandu Costa, Ulisses Rocha, Juarez Moreira, Luiz Otávio Savassi Rocha, Alvaro e Giselda Walter, um dos textos de apresentação.

O CD de áudio com o livro digital de partituras, cifras e tablaturas foi realizado com recursos da Lei Municipal de Incentivo à Cultura de Belo Horizonte. Por se tratar de um trabalho transdisciplinar, que estabelece uma relação entre a música e a saúde materno-infantil, parte dos discos será distribuída a profissionais da rede municipal de saúde a título de contrapartida cultural. 

Ulisses Rocha, Yamandu Costa e Juarez Moreira falam sobre Carlos Walter

“Carlos Walter, ao dedicar esta obra ao deleite da espera pelo nascimento de seu primogênito, reescreveu musicalmente a sua própria história. Em cada uma das 9 faixas, ele despeja toda a riqueza de uma vida dedicada ao violão, através de composições surpreendentes, repletas de surpresas. Melodias inspiradas, conduzidas como que em mar aberto por harmonias flutuantes que deslizam rápidas rumo ao leste, vão rasgando a encantadora noite de 9 meses, como que contando histórias enquanto o sol não nasce. Alguns dos personagens dessas histórias são todos músicos maravilhosos, brasileiros de hoje e de ontem, aos quais Carlos dedicou a sua admiração e infinitas horas de estudo, ganhando em retribuição uma farta porção do talento de cada um deles. O fim dessa viagem guardou uma grande surpresa: nasceram gêmeos; um menino com a sua cara e um CD com a sua alma”.  Ulisses Rocha, violonista, arranjador, professor da faculdade de música popular da Unicamp e da University of Florida.

“Carlos Walter nos dá a oportunidade de entrar no seu mundo musical através desta gravação do Calendário do Afeto. Violonista virtuose e compositor inspirado, ele conta uma história de amor muito bonita, a chegada do seu filho Pedro. Estas 9 faixas abrigam influências diversas e cada uma tem personalidade forte e própria. Este depoimento sonoro é valioso pela sua qualidade interpretativa e pelas composições originais, por vezes doces, por vezes humorísticas e agitadas. Um belo trabalho!” Yamandu Costa, violonista, compositor e arranjador.

“O violão é a grande paixão da minha vida. Além de tocar, sempre me interessei muito por sua história, assim como pela dos violonistas, suas habilidades etc. Fico muito feliz quando encontro nas novas gerações músicos com esta mesma paixão, interesse e gosto pelo violão. Carlos Walter é um desses. Fiquei mais surpreso ainda quando o ouvi tocar e pude ver a sua imensa musicalidade. Carlinhos faz parte desta geração de jovens talentosos que Minas Gerais oferece ao Brasil. Vindo do choro e do violão clássico, com uma mente muito aberta, recebe influências variadas e ratifica esta tendência do violão brasileiro atual de dialogar com vários estilos. Destaco ainda a sua bela e cuidadosa sonoridade, técnica arrojada e limpa, e a sofisticação de suas composições para o violão. Sinto-me então muito orgulhoso por escrever estas linhas sobre este violonista que inicia uma carreira muito auspiciosa”. Juarez Moreira, violonista, compositor e arranjador.

“Com a sensibilidade que lhe é peculiar – algo como as cordas retesadas de seu inseparável instrumento -, fez questão de expor o concepto, no decurso de sua trajetória intrauterina, aos amorosos acordes das composições a ele dedicadas, na expectativa de que ficassem desde cedo registrados em sua memória afetiva.” Luíz Otávio Savassi Rocha, professor emérito da Faculdade de Medicina da UFMG e associado do Clube do Choro de Belo Horizonte.

O disco faixa a faixa

1º mês – Terna Tríade (valsa) - Valsa em Si maior com a atmosfera dos acalantos de ninar. Uma descentralização de si perante o chamado existencial da paternidade. O ritmo binário da vida conjugal torna-se ternário (terno, repleto de ternura, tocado a 3) e o intervalo matrimonial transforma-se num acorde consonante: na tríade chamada família!

2º mês – Uh!... Uberaba (salsamba) - Salsa em Sol menor com pitadas de samba e o calor solar da latinidade: vida em movimento, pausa e síncope. A onomatopeia Uh! é típica do gênero. Sonoriza o clímax intermitente da náusea materna, metaforiza um canal extralinguístico de comunicação onomatopaica com o (a)feto e aflora lembranças de Uberaba, minha terra natal. O hibridismo entre salsa e samba é uma proeza rítmica internalizada a partir do arranjo de 2º violão que desenvolvi para o tema Sorte, uma congada do professor Sérgio Ramos que se transforma num samba vivaz!

3º mês – Sui Generis (fantasia: choro atípico) - Uma improvisação violonística do sui generis Juarez Moreira nas dependências do Sesc Palladium, a leitura do livro Violão Ibérico de Carlos Galilea e o ventre materno em franca expansão no 3º mês inspiraram essa fantasia em Fá sustenido menor, que foi lançada em 2014 no CD com álbum digital de partituras Novas #2 – Música brasileira para violão mediante avaliação dos jurados Fábio Zanon, Marco Pereira, Sérgio Assad e Elodie Bouny (idealizadora do projeto), gestão da Mecenaria Produção Cultural e financiamento do Programa de Ação Cultural da Secretaria de Cultura de São Paulo.

4º mês – União XV (marcha – tango) - É um menino e se chamará Pedro! Terá o austero prenome do bisavô! Essa peça em Dó menor abriga a dolência dos tangos e o vigor das marchas. Proporcionou-me um diálogo intergeracional com o meu avô Aníbal Pedro, que não conheci, e o meu pai Alvaro Walter, compositores e regentes da Sociedade Musical União XV de Novembro da histórica cidade de Mariana. A terceira parte é um epitáfio ao tio Paulo Aníbal que adorava os trios das composições marciais. Que o meu filho desfrute das retretas e procissões interioranas que ouvi à tira colo!

5º mês – Acrobata (baião ligeiro: semifrevo) - Tema alegre e vibrante, inspirado nas batidas de coração e acrobacias intrauterinas do Pedro: um acrobata nato! Foi utilizado como trilha sonora do convite eletrônico do chá de fraldas e contou com a participação especial do anfitrião, dono desses batimentos céleres e intensos que cordialmente introduzem e norteiam a rítmica da composição. Assim como o 3º mês, tal movimento foi escolhido pelo júri do Projeto Novas #2 – Música brasileira para violão.

6º mês – São Miguel (bossa nova) - Eis uma reminiscência ao Sítio São Miguel: reduto campestre onde a família materna celebra(va) a vida. Pais, irmãos, tios e primos na beira do fogão de lenha contando causos sob o indescritível céu da Zona da Mata mineira. Pastorar boi, andar de égua, apanhar jambo, chupar jabuticaba, cana e manga, jogar bola descalço, tomar canjica, comer doce, beber água da mina, atravessar pinguelas, matar bicho de pé e carrapato, pescar, dar o primeiro beijo, soltar bombinha, calçar bota, tirar o chapéu ao sentar na mesa e rezar... Eita saudade da terra natal de minha mãe Giselda! Que a união familiar e o contato com a natureza estejam presentes ao longo de sua existência, dileto filho!

7º mês – Mariana, sinos e afins (fusion) - Os rasgueos e campanellas na introdução representam o badalar dos sinos das igrejas seculares de Mariana anunciando a chegada de nosso rebento. A mamãe Rosana simplesmente adora. Boas novas ressoam no ar das Gerais, transcendem as montanhas de Minas e se misturam a outros sons, lugares, pessoas, tendências e linguagens. Vida em movimento e fusão.

8º mês – Paião (baião) - Ao compor esse baião, me senti um Paião! E logo pensei: esse será nosso baião de 3. Eu, a esposa e o filho juntos dançando vida afora! A introdução é uma anamnese do arranjo de Geraldo Vianna para o afro-samba Berimbau de Baden Powell e Vinícius de Moraes. Vale também registrar que as levadas do 5º e 8º meses se inspiraram na célula rítmica da peça “Volta Rapidinho”, do violonista Ulisses Rocha.

9º mês – Champagnat (choro) - O choro é a trilha sonora do nascer! Este choro é bem tradicional e um trecho dele foi utilizado para homenagear os 110 anos do Colégio Marista Diocesano de Uberaba, onde passei minha infância e adolescência. Possui três partes, segue a forma rondò, inicia com um dos primeiros choros do Pedro no berçário e termina com risos contagiantes registrados na véspera do seu 2º aniversário: vinhetas extramusicais que refletem a sua evolução no ciclo da vida! Que o seu itinerário existencial seja longevo, saudável, feliz, probo, próspero e benevolente! Abençoado por Deus e Champagnat.

Carlos Walter

intérprete, arranjador e compositor, Carlos Walter nasceu em berço musical. Filho do saxofonista e compositor Alvaro Augusto Walter, iniciou seus estudos musicais com o pai e com os professores Sérgio Ramos e Olegário Bandeira. Em seguida, deu continuidade ao aprendizado de maneira autodidata. Associado ao Clube do Choro de Belo Horizonte, Carlos também faz parte da União Brasileira de Compositores.

O músico possui mestrado em direito e instituições políticas pela Fundação Mineira de Educação e Cultura, ministra oficinas de violão, e atua como violonista em trabalhos solos e coletivos.

Como representante da música brasileira, apresentou-se na 1ª Semana de Belo Horizonte em Buenos Aires, 6º Festival du Choro de Paris, 16ª Cumbre de Mercociudades e 8º Festival Internacional de Violão de Belo Horizonte (FIV).

Carlos foi semifinalista do XV Prêmio BDMG Instrumental, e premiado pelo Programa de Intercâmbio e Difusão Cultural do Minc, pelo Programa Música Minas e pelo edital Novas #2 de seleção de peças para CD de áudio com álbum digital e partituras, avaliadas por Fábio Zanon, Marco Pereira, Sérgio Assad e pela idealizadora Elodie Bouny.