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Acervo produz dossiê sobre João Pernambuco

Postado em Coluna Alessandro Soares em 04/11/2014

Primeiro grande compositor de violão no Brasil, João Pernambuco terá homenagem especial em novembro. O Acervo Digital do Violão Brasileiro publica a partir desta terça-feira (4) uma série de textos inéditos, documentos raros, fotos e discos que estão fora de catálogo. A ideia é redimensionar a obra do compositor, cuja importância ainda falta ser devidamente analisada. João vai além do violão e representa um dos maiores artistas brasileiros da primeira metade do século XX e principal nome da canção sertaneja na Era do Rádio.

Nascido em Jatobá, em Pernambuco, no Dia de Finados de 1883, João Teixeira Guimarães é autor de temas canônicos do violão brasileiro, como Sons de Carrilhões, Interrogando, Graúna, Dengoso e Sonho de Magia. Todos sabemos que, para Villa-Lobos, Bach não teria vergonha de assinar os estudos de João Pernambuco como seus. E o musicólogo Mozart de Araújo destaca que João está para o violão assim como Ernesto Nazareth está para o piano.

No verbete sobre o compositor, escrito a partir de novas pesquisas, haverá ênfase na revisão histórica de inúmeros dados biográficos, incluindo equívocos históricos que se perpetuam até hoje. Um exemplo de erro histórico, na opinião dos pesquisadores do Acervo, é supor que João Pernambuco é filho de índia caeté. Apesar de a única biografia do compositor - João Pernambuco: Arte de Um Povo - já ter negado o parentesco, o erro permanece nos textos mais recentes. Costuma-se também afirmar que o violonista é parceiro de outro pernambucano, o compositor Antônio Maria, quando na verdade nunca fizeram música juntos.   

 

Discos relançados

O ponto de partida do dissiê João Pernambuco  é o relançamento no Acervo de discos antológicos, como Caio Cezar Interpreta João Pernambuco (de 1992) e dois CDs Leandro Carvalho: João Pernambuco: O Poeta do Violão (1997) e Descobrindo João Pernambuco (2000). Também será relançado neste espaço o LP O Som e A Música de João Pernambuco (1979).

Este último reúne as 10 faixas originais que João Pernambuco gravou em 1929, acompanhado de José do Patrocínio, o Zezinho, que ficou mais conhecido como dublador do desenho animado Zé Carioca, de Walt Disney. O CD de Caio Cezar, por sua vez, representa a primeira experiência de se gravar João Pernambuco para violão solo, incluindo músicas até então inéditas, como Brejeiro e Cecy.

Enquanto Leandro Carvalho laçou seu primeiro disco revistando a obra vocal do compositor. E no segundo CD lançou diversas peças inéditas, a exemplo das parcerias de João Pernambuco com Armando Neves e com Pixinguinha e Donga, além de temas raríssmos, como Pensando em Augustinha  e Noite de Ventura. Intérpretes internacionais .

  

Ainda em novembro, o blog do Acervo publicará textos sobre as mais importantes interpretações da música de João Pernambuco, desde o sucesso de Dilermando Reis, que difundiu Sons de Carrilhões e Interrogando em todo o país. Daremos destaque ao pioneirismo de Turíbio Santos, que foi o primeiro a publicar diversas partituras do compositor pernambucano e a gravar temas como Dengoso e Pó de Mico. Há também os arranjos de Raphael Rabello, que ajudaram ainda mais a consagrar a música de João Pernambuco.

E mais. O portal vai listar a relevante quantidade de virtuoses internacionais que gravaram João Pernambuco, confirmando o quanto Sons de Carrilhões é uma das peças brasileiras mais gravadas no exterior. Nomes como Pepe Romero, Leo Brouwer, Maria Luisa Anido, Paco Peña, Gerald Garcia e Liona Boyd são alguns dos exemplos. Além disso, o Acervo colheu breves depoimentos do escocês David Russell, do americano Benjamin Bunch e dos gregos Eleftheria Kotzia e Paul Vondiziano. Eles falam do contexto em que gravaram João Pernambuco e das características do compositor. Desejamos boa leitura e audição a todos.  

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