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Acervo relembra aniversário de Fred Schneiter e destaca concurso em sua homenagem

Nesta semana o Acervo Digital do Violão Brasileiro faz um breve tributo a Fred Schneiter (1959-2001), que completaria 56 anos no último dia 3 de outubro. Postamos na página inicial do site o conhecido vídeo da TV Educativa, em que o Duo Barbieri-Schneiter interpreta a peça Bocaina. Também publicamos duas fotos raras de Fred pertentence ao acervo particular de Luís Carlos Barbieri, que gentilmente as cedeu.

A primeira imagem que resgatamos é esta acima, de autoria de Mário Cravo Filho, tirada em 1987. A outra é a que encerra este post, clicada num recital com Barbieri no extinto Finep In Concert, em 1994. Além disso, disponibilizamos na Discografia do Acervo os três discos do duo: No Caraça, 10 Anos e Duo Barbieri-Schneiter Interpreta Barbieri & Schneiter, com faixas selecionadas que podem ser ouvidas aqui.

Formado pelo carioca Luís Carlos Barbieri e o baiano Fred Schneiter, o duo marcou o violão brasileiro na década de 1990 por reunir excelência técnica, forte entrosamento, arranjos muito criativos e composições autorais do mais alto nível.

Aproveitamos para lembrar que as fases semifinal e final do VII Concurso Nacional de Violão Fred Schneiter ocorre nesta quinta (08), às 16 horas, e na sexta-feira (09), às 17 horas, no Espaço Guiomar Novaes da Sala Cecília Meireles, no centro do Rio de Janeiro. Da prova eliminatória, ocorrida em agosto em audição por meio de DVD, o juri selecionou seis candidatos. São eles Eric Dalles, Aulus Rodrigues, Anna Leone, Richard Wang, João Henrique e Lucas Gralato.   

A sétima edição do concurso homenageia os 70 anos do compositor Luiz Carlos Csekö (foto) ao incluir a obra de confronto Tradução 3, que ele escreveu especialmente para a prova semifinal. Assim como Fred Schneiter, é baiano radicado no Rio de Janeiro, onde se conheceram e estabeleceram uma forte amizade. Sua notoriedade no meio musical, como compositor, se estende na área do ensino musical com suas Oficinas de Música, que são uma forte referência neste campo.

Além da peça de Luiz Carlos Csekö, na prova semifinal os candidatos interpretam obras de livre escolha. Na final, a peça de confronto é Estudo nº 1, de Fred Schneiter.

O vencedor do Prêmio Fred Schneiter (1º lugar) receberá R$ 2 mil. O segundo colocado leva o Prêmio Jodacil Damaceno (R$ 1 mil), enquanto o 3º lugar fica com o Prêmio AV-Rio / Julio de Cepeda (R$ 500). O melhor intérprete da música de Fred Schneiter receberá o Prêmio Arlequim CD’s (R$ 500) e o melhor intérprete da música de Luiz Carlos Csekö receberá o Prêmio Luiz Carlos Csekö / 70 anos, no valor de R$ 500.  

O júri é formado por Arthur Gouveia e Valmyr Oliveira (CBM), Armildo Uzeda (EM Villa-Lobos), Humberto Amorim e Márcia Taborda (UFRJ), Nicolas S. Barros e Maria Haro (UNIRIO), Mario da Silva (EMBAP), L. C. Ceskö (compositor), Ricardo Dias (luthier) e Luis Carlos Barbieri (Presidente do Júri).

A Mostra e Concurso Nacional de Violão Fred Schneiter já faz parte dos eventos tradicionais no cenário violonístico da América Latina e acontece regularmente desde sua primeira edição, em 2002. Com a criação do grupo informal intitulado Amigos da Mostra, em 2006, o evento ganha autonomia, sem depender de leis de incentivo ou patrocínios institucionais para acontecer. Com as doações realizadas pelo grupo, os Amigos da Mostra oferecem uma premiação em dinheiro, troféus e materiais específicos para o instrumento, material gráfico, passagens, hospedagens, entre outras necessidades fundamentais para a existência do evento.

Os vencedores do concurso bienal são os seguintes: Alieksey Viana (de Minas Gerais, em 2002), Marcos Flávio (também mineiro, em 2005), Marco Lima (do Rio de Janeiro, em 2007), Renan Simões (capixaba, em 2009), Cyro Delvizio (de Mato Grosso do Sul, em 2011) e Lucas Campara (gaúcho, em 2013).

Após abandonar o curso de engenharia elétrica, na Bahia, aos 20 anos, Fred Schneiter foi para o Rio de Janeiro, em 1982, e iniciou estudos de violão com Luiz Antônio Perez. Participou de diversas formações cameristicas atuando como solista, em duos de violões, trios, quartetos e orquestra de violões. Em 1987 concluiu o Bacharelado em Violão na UNIRIO, com Turíbio Santos, e formou o Duo Barbieri-Schneiter com o qual ganhou notoriedade e atuou por 14 anos com intensa atividade em concertos no Brasil, Portugal, Suíça, Áustria, Itália, México e Argentina.

Com o duo, gravou três CDs no Santuário Ecológico do Caraça, em Minas Gerais (Brasil) e lançados pelo selo Rob Digital. Em 1991, Fred Schneiter obteve o primeiro lugar no Concurso de Composição do I Ciclo de Violão, realizado pela AABB/SP com a obra Fantasia 521

     

O disco de estreia, No Caraça, foi lançado em 1996, com arranjos para peças de João Pernambuco, Dilermando Reis e Garoto, junto com obras de Barbieri e Fred. Já o CD 10 Anos tem obras de Vivaldi, Scarlatti, Piazzolla, além de três peças de Luís Carlos Barbieri e uma de Fred Schneiter.   

O terceiro CD Duo Barbieri-Schneiter interpreta Barbieri & Schneiter foi lançado em 2000 e é totalmente voltado para as composições autorais. Após residirem por dois meses no Santuário do Caraça, eles escreveram duas suítes intituladas Suíte Caraça para dois violões. A suíte de Fred Schneiter conta com sete movimentos e a de Barbieri com cinco movimentos. O repertório do CD, além destas composições, é completado por outras obras dos dois violonistas. 

Fred Schneiter morreu em 5 de maio de 2001. Sua obra, escrita principalmente para violão solo e duo de violões, vem sendo editada no Brasil, Estados Unidos e Itália. Um novo CD do Duo Barbieri-Schneiter, com repertório gravado ao vivo e gravações inéditas, está em fase de produção. 

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