A música de Baden Powell, afro-sambas e jazz na música brasileira, na visão de três pesquisadores

Neste mês em que celebramos 80 anos de nascimento de Baden Powell, recomendamos a leitura de três ótimos estudos acadêmicos que constam na Biblioteca do Acervo, cada uma com abordagens bem diferentes: Baden Powell e o jazz na música brasileira, realizado por Marcelo Brazil; O Violão de Baden Powell, de Nelson Fernando Caiado; e O violão acompanhador: os arranjos do disco Afro-Sambas de Paulo Bellinati e Mônica Salmaso, escrito por Samuel da Silva.

Na dissertação Baden Powell e o jazz na música brasileira, o autor Marcelo Brazil foca a obra instrumental de Baden, que incorporou em suas músicas tanto a tradição da música popular quanto as inovações do jazz. A primeira metade da década de 1960 retrata essa diversidade, revelando dois movimentos musicais distintos ocorrendo simultaneamente: a bossa nova, que privilegiou as canções e as interpretações contidas, e o samba-jazz, que explorou o virtuosismo dos executantes no uso da linguagem instrumental. Baden Powell assimilou essas informações e partiu para a Europa, onde criou uma forma de expressão pessoal que marcou toda a sua obra.

O Violão de Baden Powell, de Nelson Fernando Caiado, analisa possíveis razões ao aparente fato de existirem poucas composições no gênero samba que tenham sido concebidas essencialmente como música instrumental. A pesquisa busca também exemplos de compositores e intérpretes que tenham sambas com essa característica específica. Neste contexto, o compositor e violonista Baden Powell deve ser uma das principais exceções.

No caso da pesquisa O violão acompanhador: os arranjos do disco Afro-Sambas de Paulo Bellinati e Mônica Salmaso, Samuel da Silva  aborda a trajetória histórica e musical do violão acompanhador no âmbito da música popular brasileira com vista a elaborar um estudo de caso do disco Afro-sambas do violonista Paulo Bellinati em parceria com a cantora Mônica Salmaso. Samuel ressalta o trânsito e a presença ativa do violão por diversas classes sociais, assim como os executantes que se dedicaram ao instrumento desde os primeiros registros fonográficos. Além disso, a pesquisa em fontes discográficas retrata características do acompanhamento realizado por intérpretes representativos do cancioneiro popular ao longo do século XX.

Para a análise dos arranjos das canções Labareda, Consolação e Canto de Xangô (todas de Baden Powell e Vinícius de Moraes), Samuel da Silva adotou a metodologia proposta pelo musicólogo Phillip Tagg (1982 e 1999). O perfil dos arranjos relevou que o disco pode ser considerado fruto de uma mediação cultural entre as duas tradições principais do instrumento, a do violão solista e de acompanhador.

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NIG

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