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Duo Siqueira Lima marca 2º show do Acervo Violão

Postado em Shows em 23/09/2014

Além do belo recital de abertura de Fábio Zanon, o show de lançamento do Acervo Digital do Violão Brasileiro, realizado no domingo (21/09) no Auditório Ibirapuera, em São Paulo, também teve o brilho do Duo Siqueira Lima. Ao contrário do previsto, em que os solistas tocam primeiro peças menos complexas para dar tempo de aquecer os dedos e sacar o clima do teatro, o duo formado por Fernando Lima e Cecília Siqueira apresentou logo de cara a apoteótica La Vida Breve, de Manuel de Falla.

Com a plateia na palma da mão, o duo seguiu repertório com uma sonata de Scarlatti e Lenda do Caboclo (Villa-Lobos), mantendo impecável entrosamento e precisão técnica. Mas Fernando e Cecília emocionaram o público particularmente com Prelúdio das Bachianas Brasileiras 4, de Villa. O equilíbrio entre dinâmica e dramaticidade no andamento lento ideal para o lirismo que esta peça exige comprova o quanto a técnica sempre deve estar a serviço da música. Embora óbvia, esta é uma concepção que o artista eventualmente corre o risco de ignorar em favor do exibicionismo.

Conhecido por renovar o repertório camerístico para dois violões, o Duo Siqueira Lima também apresentou arranjos autorais para músicas populares, como Candomblé, do uruguaio Hugo Fattoruso e que, apesar do nome, nada tem a ver com o universo afro-baiano. Também fez um dos grandes clássicos de Pixinguinha, Um a Zero, e Canhoto, de Radamés Gnattalli.

Fernando e Cecília encerraram a apresentação com Homenagem a Chiquinho do Acordeom, de Dominguinhos. E tocaram como se a música tivesse sido composta para violão, quando na verdade é original para sanfona. Por sinal, vale frisar como este duo é responsável por divulgar diversas obras menos conhecidas do mestre pernambucano.

O Duo Siqueira Lima deixou o palco aplaudido de pé e o auditório em estado de graça. E olha que ainda iria subir ao palco a cantora Ná Ozzett para coroar aquela noite, acompanhada dos violonistas Marcos Alves e Carlos Chaves. Com direção artística de Alessandro Soares, os shows do Acervo Digital do Violão Brasileiro têm produção e iluminação de Patrícia Ferraz.