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Centenário de Antonio Rago é comemorado com shows, palestras e exposição em SP

Postado em Shows em 30/06/2016

Neste sábado (02) o Instituto Bixiga celebra os 100 anos de nascimento do violonista e compositor Antonio Rago (1916-2008), por meio de uma exposição e uma série de atividades, palestras, recitais e vídeos na retrospectiva A Longa Caminhada de um Violão, que ocorre no Teatro Sergio Cardoso, a partir das 14 horas, com entrada franca. Com curadoria assinada pela família de Rago, o evento permite que o público mergulhe no universo musical do compositor e conheça importantes aspectos de vida e da trajetória artística de Rago.

Os violonistas Theo de Barros, Gilson Antunes, Paola Picherzky e Flávia Prando participam dos shows, que abrange diversos outros músicos. Organizada pelo instituto, a mostra faz um valioso recorte da produção de um dos grandes nomes da música popular brasileira.

Antonio Rago foi não apenas um dos mais ativos e importantes violonistas da história da música brasileira, mas também um dos últimos representantes da era de ouro do rádio no Brasil, sendo um dos introdutores do violão elétrico no país e um dos inovadores do regional instrumental.

     

Théo de Barros                                                                                                                   Paola Picherzky

A exposição vai ser no saguão do teatro, incluindo uma riqueza de fotos raras. Algumas delas foram gentilmente cedidas pelo Instituto Bixiga para o Acervo Digital do Violão Brasileiro ilustrar esta página. Aproveitamos a ocasião e atualizamos o verbete de Rago, escrito por Gilson Antunes, e a discografia, com faixas selecionadas que podem ser ouvidas aqui.  

A programação inclui uma série de atividades na Sala Paschoal Carlos Magno. Às 16h, ocorre a palestra Os Violões de São Paulo, com os violonistas Gilson Antunes, Paola Picherzky e Sérgio Stéphan. Às 19h começa a apresentação musical Jamais te Esquecerei, que é o título de uma das mais conhecidas composições de Rago. Além dos violonistas já citados, também sobem os irmãos Izaías e Israel Bueno, do célebre regional Izaías e Seus Chorões, Paulo Tiné, Cleber José Rodrigues da Silveira, Breno Ampáro e Alessandro Greccho.

      

Gilson Antunes                                                                                                                 Flávia Prando

Do elenco de violonistas do show, a primeira atração vai ser o duo formado por Paola Picherzky e o guitarrista Paulo Tiné, que vão interpretar três temas de Armando Neves: O Dono da Bola (que ele dedicou ao amigo Rago), Maxixe e Choro n 2. Gilson Antunes, por sua vez, fará três temas de Américo Jacomino, de quem Rago foi ídolo: Abismo de Rosas, Marcha dos Marinheiros e Marcha Triunfal Brasileira. Depois Paola retorna ao palco para um dueto com Flávia Prando, quando apresentam Uma Estrela se Aproxima e Três Amigos no Choro, de Rago. O último a se apresentar é Théo de Barros, com Natureza e a lendária Disparada, que ele compôs com Geraldo Vandré. (confira lista completa de artistas no final do post)

Sobre o artista

Antonio Rago, importante compositor brasileiro, foi um virtuose do violão. No seu Regional do Rago, interpretava composições próprias e dedilhava o seu instrumento em inesquecíveis solos. Autodidata, seu talento influenciou toda uma geração de músicos e artistas.

Filho de imigrantes italianos estabelecidos no bairro da Bela Vista, popularmente conhecido como Bexiga, Rago, nascido em 15 de junho de 1915, mas registrado em 2 de julho de 1916, aprendeu, ainda menino, a tocar violão. Seus primeiros passos no instrumento vieram das lições do sapateiro Rafael Fezza. Mais tarde, aprendeu rudimentos de teoria musical estudou pelo método Tarrega de violão clássico com o professor Edgard Mello, a quem coube moldar seu modo de tocar.

Iniciou a carreira de solista no Regional do Armandinho (Armando Neves), fazendo os solos com Zezinho, o Zé Carioca. O compositor Armandinho, aliás, foi quem o ensinou a tocar o choro com solo e harmonia de baixo, de modo sincronizado. Em 1936 e no ano seguinte, Rago trabalhou na Rádio Belgrano, em Buenos Aires, com o cantor Arnaldo Pescuma.

Com seu violão, acompanhou inúmeros cantores e cantoras da rádio, como Aracy de Almeida, Isaurinha Garcia, Norma Ardanuy, Carmélia Alves, Wilma Bentivegna, Silvio Caldas, Orlando Silva e Nelson Gonçalves, entre outros. Gravou com Garoto e com a cantora Dilú Melo, inclusive fazendo o coral com Aníbal Augusto Sardinha. Trabalhou com Francisco Alves, o “rei da voz”, acompanhando-o em sua apresentação, antes de sua trágica desaparição.

Participou da inauguração da televisão brasileira, na TV Tupi em 1950, posteriormente formando com Manuel da Nóbrega o famoso “Ronda nos Bairros”, programa de variedades, em que se mesclavam atrações musicais e quadros humorísticos. Mais tarde, integraram-se ao programa Hebe Camargo e Mario Gennari Filho.

Compositor de aproximadamente 200 músicas, entre as quais se destacam O Barão na Dança, Mentiroso, Extasiado, Minha Homenagem, Estranho, Este é Choro e Apenas Tu, Rago ganhou notoriedade nacional com o bolero Jamais te Esquecerei (1949), composto para o filme Quase no Céu (1949), de Oduvaldo Vianna. Acompanhou com seu Regional o compositor Caymmi no filme Terra É Sempre Terra (1951), dirigido por Tom Payne e produzido por Alberto Cavalcanti.

Foi de Rago o primeiro arranjo para o conhecido Samba do Arnesto, de Adoniran Barbosa,  que também foi o primeiro a gravar a obra, pela Continental, em 23 de julho de 1952, com esse arranjo.

Um dos introdutores do violão elétrico na canção, o que, na época, era grande novidade, Antonio Rago popularizou o instrumento. Sua carreira solo ganhou relevância com o disco em 78 rpm e com o já citado bolero Jamais te Esquecerei, que foi tema da novela homônima no SBT em 2003.

Em Família

Todas as comemorações de família eram feitas no Bexiga. O bairro era o palco de animados encontros que se estendiam até a última garrafa de vinho. No centro, sempre com o violão, era Rago quem contava histórias e fazia todo o mundo rir entre uma canção e outra. Aos domingos, só a tradicional macarronada da dona Júlia na casa do casal rivalizava com o violão. Era preciso, afinal,  interromper a música para degustar as delícias da culinária italiana.  

Os quase dois metros de altura, os olhos verdes e o sorriso largo não o deixavam passar despercebido onde quer que fosse. Nunca economizou simpatia com os amigos nem galanterias com as mulheres. Gostava de estar cercado de pessoas e a quem com ele conviveu deixou um legado de afeto e paixão pela música.

Serviço

Local: Teatro Sérgio Cardoso, rua Rui Barbosa, 153, Bela Vista  

Sábado: 2/7/2016

Horário: das 14h às 21h

Entrada franca