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Celso Faria estreia em CD de violão solo com obras raras e inéditas

Postado em Shows em 18/07/2019

(Celso Faria / crédito: Marcelo Rosa/Acervo Violão Brasileiro)

Da redação com assessoria do evento

Turíbio Santos logo avisa: “Celso Faria é grande violonista e pesquisador fora de série. Na atual gravação, o enriquecimento do repertório do violão será enorme, com obras de Carlos Alberto Pinto Fonseca e Arthur Bosmans, interpretadas com brilho e entusiasmo, qualidades inerentes ao violão de Celso Faria”. Turíbio se refere ao Recital Mineiro, que marca a estreia solo de Celso em CD. O concerto de lançamento será nesta sexta-feira (19/07), às 20h, na capela do Educandário Senhor Bom Jesus dos Passos, em Passos (MG), com entrada é franca.

Para este lançamento, Celso Faria convidou a soprano Lilian Assumpção e o bandolinista e compositor Nelson Salomé. O repertório conta com algumas obras do CD e outras composições, como as Siete Canciones Populares Españolas, de Manuel de Falla, duas obras de Nelson Salomé, Capão Triste e Clarice, além da Ária (Cantilena) das Bachianas Brasileiras nº 5, de Heitor Villa-Lobos. A turnê de divulgação do CD prevê também apresentação em outras 20 cidades mineiras, além de São Paulo e Rio de Janeiro.

A gravação desse disco preenche uma lacuna na discografia brasileira. Os Sete Estudos Brasileiros, compostos em 1972 por Pinto Fonseca, e a suíte Brasileiras (dividida em cinco partes), escrita por Arthur Bosmans em 1973, são exemplos de duas das mais relevantes obras nacionais para o violão, mas ainda não haviam sido gravadas em disco de forma integral.

Para Celso, a atual produção musical mineira para violão é multifacetada e explora linguagens e abordagens distintas, bem como o uso do instrumento na música de câmara e sinfônica. “O resgate dessas obras é de grande importância para o universo do violão porque traz à luz estes dois importantes conjuntos de obras adormecidas há quase 50 anos”, explicou.

Biografias

Apesar da forte contribuição desses dois artistas para a música nacional, eles não são tão populares no Brasil. O maestro mineiro Carlos Alberto Pinto ficou conhecido por seus arranjos corais de música folclórica brasileira. Venceu várias competições de regência no Brasil e no exterior, como na Argentina e Itália. Sob sua batuta, o Coral Ars Nova obteve reconhecimento internacional, com apresentações em mais de 30 países.

Já o compositor Arthur Bosmans nasceu na Bélgica, onde iniciou a carreira tocando viola, piano e clarineta. Chegou ao Brasil na década de 1940, onde desenvolveu composições priorizando o estilo da música nacionalista brasileira. Em Minas Gerais, teve papel importante ao difundir compositores como Ravel e Debussy. Enquanto na Europa apresentou em concertos obras de autores brasileiros, como Francisco Mignone e Radamés Gnatalli.

(Celso Faria / crédito: Foca Lisboa)

Para o maestro e compositor Oiliam Lanna, discípulo de Bosmans e amigo de Fonseca, o CD representa um marco na trajetória de Celso Faria, em prol da música brasileira. “Aqui se evidenciam as qualidades do intérprete, mas vale ressaltar que o violonista mineiro, ao longo de mais de duas décadas de exaustiva e laboriosa pesquisa, passou a ser o detentor de um acervo pessoal de cerca de três mil obras para o seu instrumento, acervo ao qual recorrem músicos dos quatro cantos do mundo”.

Intérprete Celso Faria

Nascido em Passos (MG) em 1979, Celso Faria iniciou começou a estudar de maneira autodidata aos 10 anos. Em 1994, ingressou no Curso de Formação Musical da Escola de Música da UFMG, estudando na classe do professor José Lucena Vaz, onde obteve o título de bacharel em violão na mesma instituição sob a orientação do professor Fernando Araújo. É especialista em Música Brasileira - Práticas Interpretativas - pela Universidade do Estado de Minas Gerais e Mestre em Performance Musical pela Universidade Federal de Minas Gerais.

Também foi aluno de violão de Beto Davezac na Fundação de Educação Artística (Belo Horizonte) e de música de câmara de Norton Morozowicz na UERJ (Rio de Janeiro). E ganhou diversas premiações, em alguns dos mais disputaods concursos do país.

Com destacada atuação como recitalista de violão solo, integrante em diversificadas formações camerísticas ou, ainda, como solista orquestral, o número de obras a ele dedicadas, encomendadas, transcritas ou arranjadas já superam 130 títulos.

Celso Faria gravou diversos programas de rádio e televisão e foi responsável também por várias primeiras audições. Da sua produção fonográfica/audiovisual, relacionam-se os seguintes CDs: Romancero Gitano, com o Coro Madrigale (selo independente, Belo Horizonte, 2006); 100 anos de Arthur Bosmans (selo “Minas de Som”, Belo Horizonte, 2011);  e Manuscritos de Buenos Aires - Obras de Francisco Mignone com o soprano Mônica Pedrosa e o violonista Fernando Araújo (Selo Sesc – a ser lançado em breve); além do DVD que acompanha o livro Caminhos, encruzilhadas e mistérios de Turíbio Santos (selo “Artviva”, Rio de Janeiro, 2014).