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Acervo faz CD virtual de violão em homenagem a Fernando Brant

Postado em Discos em 15/06/2015
 
O Acervo Digital do Violão Brasileiro homenageia o grande letrista Fernando Brant (1946-2015), morto na sexta-feira passada (12), por meio de uma pequena coletânea de 10 faixas, selecionadas pelo diretor do portal, Alessandro Soares. São melodias de Milton Nascimento, Toninho Horta e Tavinho Moura, letradas por Brant, em arranjos para violão, tanto solo, quanto em para quarteto e voz. O disco, que só existe virtualmente aqui, tem elenco de grandes violonistas como Nonato Luiz, Hélio Delmiro, Quaternaglia,  Wilson Lopes e Beto Lopes, além dos originais encadeamentos harmônicos de Horta, que canta quatro temas.
 
 
 
O disco abre com San Vicente, extraída do disco Milton Nascimento By Nonato Luiz, de 1988, seguida de Suíte Mineira Sobre Temas De Milton Nascimento_ I. Ponta de Areia, San Vicente & Variações, composta por Sérgio Molina e interpretada pelo Quaternaglia Guitar Quartet, no CD Presença, de 2006. Vale lembrar que a letra de Ponta de Areia também é de Fernando Brant. Já Paixão e Fé e Cy, ambas melodias de Tavinho Moura, foram colhidas do disco Nossas Mãos: homenagem ao Clube da Esquina, do duo Wilson Lopes e Beto Lopes, lançado em 2005.
 
Do antológico LP Samambaia, de Cesar Camargo Mariano e Hélio Delmiro, de 1982, destacamos o tema Milagre dos Peixes, enquanto Juarez Moreira está presente com Travessia, do disco Solo. Como não poderia deixar de ser, o violonista mais presente na coletânea é Toninho Horta, autor dos quatro temas, em que toca e canta os versos do parceiro Brant em Diana, Aqui, Oh!, Manuel, o Audaz e Céu de Brasília. Este tributo também não deixa de ser uma homenagem aos compositores do Clube da Esquina. 
 
 
A ideia de homenagear um poeta como Fernando Brant se deve ao fato de que, embora a maioria das gravações esteja sem as letras, trata-se de um trabalho conjunto. Mesmo nas versões instrumentais, os versos de Brant vêm à memória do ouvinte. Certamente isso igualmente se passa com melodias letradas por outros poetas do Clube, como Ronaldo Bastos e Márcio Borges.
 
E também acontece, por exemplo, quando se ouve os solos de Baden Powell, Luiz Bonfá ou Guinga. Logo surgem na cabeça as frases dos parceiros Vinícius de Morais, Antônio Maria, Paulo Cesar Pinheiro ou Aldir Blanc. Não por acaso, a tradição da música brasileira cantada é tão forte, pois é imensa a quantidade de letristas geniais na MPB.
 
Oportunamente faremos mais coletâneas sobre a relação entre violão e o Clube da Esquina. O repertório é vasto. Depois da bossa nova, o movimento musical brasileiro que talvez tenha despertado mais interesse de intérpretes instrumentistas no país e no exterior foi o do grupo mineiro. Grandes saxofonistas americanos como Wayne Shorter e Paul Desmond dedicaram discos à música de Milton Nascimento já nos anos 1970. Depois, guitarristas como Jim Hall e Pat Metheny fizeram releituras de Milton, Toninho Horta.
 
No Brasil, são incontáveis os arranjos instrumentais para esses compositores. Até Egberto Gismonti, que apesar de quase nunca ter gravado temas de cantores da MPB, abriu exceção para Milton Nascimento ao incluir Fé Cega, Faca Amolada, que tem letra de Ronaldo Bastos, no disco Dança das Cabeças. Mas por ora nosso foco é Fernando Brant, cuja perda é muito grande, mas sua obra é maior.  
 
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