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O Idiomatismo do Violão de Sete Cordas - Fabiano Borges

2008

Autor: FABIANO BORGES

Orientadora: Profª. Dra. Maria Alice Volpe

Universidade de Brasília (UNB) Brasília (DF), 2008

RESUMO Este trabalho visa a explorar os recursos estilísticos do violão de sete cordas no choro brasileiro. Após uma breve discussão acerca dos pioneiros do choro, que se justifica pelo repertório tradicional ao qual o violão de sete cordas se vincula, seguida de uma análise da contribuição violonística de Aníbal Augusto Sardinha (o Garoto), abordamos as modificações de ordem técnica e timbrística que ocorreram, sobretudo, ao longo da segunda metade do século XX no Brasil, com Dino Sete Cordas e Raphael Rabello. Considerados os maiores expoentes do referido instrumento, tiveram o choro como base musical e coadunaram recursos provenientes de outros gêneros, o que contribuiu sobremaneira para transformações organológicas e estilísticas do violão de sete cordas no choro. Tais transformações - as quais consubstanciaram um estilo de tocar - se tornam relevantes na medida em que diversos gêneros e estilos de música instrumental encontraram no choro o ponto de referência. Propomos ainda uma divisão da obra de Rabello em duas fases. A primeira concerne à fase acompanhadora - na qual predomina o estilo tradicional - anteriormente consolidada por Dino. A segunda fase está relacionada com a valorização do repertório solista, cujos elementos virtuosísticos e possibilidades timbrísticas são transpostos para o estilo de acompanhamento de instrumentistas e cantores. Pouco explorados pelos violonistas de sua época, tais elementos evidenciam um estilo não-tradicional para a obra do violão de sete cordas solista de Rabello. As inovações estilísticas são mais bem compreendidas se contextualizadas pelos conceitos inseridos no âmbito das ciências sociais (hibridismo e tradição), os quais corroboram a hipótese de que os dois estilos supracitados coexistem pacificamente. Verifica-se, portanto, que a união de estilos em Rabello foi determinante para que o violonista se tornasse uma das principais referências do instrumento na atualidade e consolidasse o violão de sete cordas solista no Brasil.