Edelton-Gloeden

Edelton Gloeden

Nascimento

19 de Junho de 1955

Naturalidade

São Paulo (SP)

por GILSON ANTUNES

Iniciou seus estudos de violão aos 11 anos em São Paulo, com Roberto Dalla Vecchia. A partir de 1969 – e pelos cinco anos seguintes – passou a estudar com Henrique Pinto, ocasião em que despertou seu maior interesse pelo instrumento. Teve grande influência de Andrés Segovia ao ouvir a gravação da Chaconne, de Bach, influência esta que se estenderia por toda a sua carreira, vindo a culminar em seu primeiro CD solo e sua dissertação de mestrado. Outra grande influência nesse início foram os irmãos Sérgio e Eduardo Abreu.

Entre 1970 e 1972 estudou no Instituto Normal de Música e passou a frequentar os Seminários de Violão de Porto Alegre (em 1972, 1974 e 1975), promovidos pelo Liceu Palestrina, onde travou contato com alguns dos principais professores e jovens violonistas da América Latina, entre eles Jorge Martinez Zarate, Abel Carlevaro, Eduardo Fernandez e Guido Santorsola. Estudou também, em 1974, matérias teóricas na Faculdade Paulista de Música.

Em 1975 participou de dois eventos marcantes: foi terceiro colocado no Concurso Internacional de Violão Palestrina (concorrendo com Roberto Aussell e Eduardo Fernandez, respectivamente primeiro e segundo colocados) e deu seu primeiro grande recital de música de câmara com a soprano Anna Maria Kieffer, no Masp (Museu de Arte de São Paulo), onde, no ano anterior, havia feito sua estreia oficial como solista numa grande sala de concertos.

A partir daí seu nome ficou cada vez mais respeitado não apenas no violão, mas no meio musical como um todo. Com isso, Edelton Gloeden passou a ser chamado para tocar em festivais de música contemporânea e a realizar estreias de obras de compositores importantes como Leo Brouwer, Olivier Toni, Mário Ficarelli, Cláudio Santoro, Camargo Guarnieri, Gilberto Mendes e Francisco Mignone. Na época, Edelton era um dos poucos violonistas brasileiros a ter esse tipo de atividade com a música contemporânea de vanguarda.

No início da década de 1980, passou a dar aulas no Conservatório Brooklyn Paulista, em São Paulo, e em 1986 foi contratado para um dos principais cargos acadêmicos de violão do Brasil, como professor da Universidade de São Paulo (USP). Lá, formou e ainda forma alguns dos mais conhecidos violonistas brasileiros da atualidade, entre eles Fabio Zanon, Eduardo Minozzi e Glauber Rocha.

No início da década de 1990, Edelton Gloeden apresentou dois importantes programas radiofônicos na Rádio Cultura FM de São Paulo, Violão Caminhos de um Som e Violão Grandes Concertos. Mas foi na Rádio USP FM que apresentou um dos mais duradouros programas de violão já transmitidos por qualquer emissora de rádio no Brasil, Violão em Tempo de Concerto. Nesse programa, apresentou inúmeras novidades discográficas e realizou entrevistas e recitais ao vivo com os principais violonistas da época, incluindo alguns estrangeiros como David Russell e Francisco Gil.

Em 1993, por ocasião do centenário do nascimento de Andrés Segovia, Edelton Gloeden fez vários recitais em homenagem ao violonista e iniciou estudos mais aprofundados, no que viria a ser sua dissertação de mestrado – sobre o que ele chamou de Ressurgimento do Violão na Década de 1920 defendida em 1997 e seu único CD solo até o momento (Os Anos 20, gravado em 1997, com um violão Francisco Simplicio de 1923), pelo selo EGTA. 

Em 1996 foi um dos fundadores do Brazilian Guitar Quartet, juntamente com Paul Galbraith, o irmão Éverton Gloeden e Tadeu do Amaral, tendo participado dos três primeiros CDs desse grupo pelo selo Delos International e realizado turnês pela América do Norte e Europa. Ainda no campo da música de câmara, Edelton gravou dois discos com a cantora Anna Maria Kieffer e com a violonista Gisela Nogueira – apresentando uma importante pesquisa musical sobre modinhas e lundus dos séculos 18 e 19 – e um CD com o flautista José Ananias, pelo selo Paulus. Infelizmente, duas de suas mais importantes formações camerísticas não tiveram gravações profissionais: seu duo de violões ao lado do irmão Éverton e um duo de canto e violão ao lado de sua esposa, Adélia Issa.

Na década de 2000 Edelton Gloeden recebeu um dos mais importantes prêmios da música do Brasil, o Prêmio Carlos Gomes, na categoria solista instrumental. No ano seguinte, defendeu sua tese de doutorado na USP, sobre as 12 Valsas para Violão de Francisco Mignone e foi chamado para ser o diretor artístico do Festival Leo Brouwer, um dos mais importantes eventos violonísticos em todo o mundo, realizado em homenagem ao compositor cubano. Poucos festivais de violão possuem tanto impacto e tanta procura no Brasil quanto este, que é conhecido pelo alto nível de organização e programação artística.

Em 2007, participou da gravação do CD Retrato de Radamés, ao lado de vários grandes músicos, entre eles os violonistas Paulo Porto Alegre e Daniel Murray, com quem na época formava o Trio Opus 12.

Edelton Gloeden continua como professor de violão da Usp e como concertista, realizando recitais solo, com música de câmara e com orquestra. É também constantemente chamado para dar aulas em alguns dos mais importantes festivais de música do Brasil, entre eles o Festival de Música de Ourinhos e o Festival Música nas Montanhas, em Poços de Caldas.

Poucos violonistas brasileiros, sejam eles da área clássica ou popular, conseguiram um nível de reconhecimento e respeito como o de Edelton Gloeden. Alguns de seus alunos foram vencedores dos mais importantes concursos internacionais de violão, como o Certamen Internacional Tárrega, GFA Guitar Competition e Agustin Barrios World Wide Web Guitar Competition. Seus recitais, com repertório diferenciado, composto sempre por obras de alto nível musical, fazem grande sucesso de público, algo raro no meio do violão clássico brasileiro. Seus cursos de violão em festivais de verão e inverno espalhados pelo Brasil estão sempre entre os mais procurados. Por sua carreira, Edelton Gloeden pode ser considerado um dos músicos clássicos brasileiros mais singulares de todos os tempos.

 

Discografia

-Música e Músicos de São Paulo (Museu da Imagem e do Som,

 Catálogo nº MIS-006)            

-Marília de Dirceu (São Paulo: Tacape, nº 016, 1985)               

- Doces Lembranças (Rio de Janeiro: Philips, nº 422100-1, 1987)

- Marília de Dirceu (São Paulo: Eldorado, nº 150.89.0557, 1989)               

- Viagem pelo Brasil (São Paulo: Eldorado, 1990)

- Surf, Bola na Rede, Um Pente de Istambul e a Música de Gilberto Mendes (São Paulo: Eldorado, CD 7124-584008, 1993)

- A Viagem pelo Brasil (São Paulo: Eldorado, CD 584.043, 1994)

- Marília de Dirceu (São Paulo: Akron CD 102594-01, 1994)

- Mel Nacional (São Paulo: SEC/ Akron, 1994)

- Uma Festa Brasileira - Música Brasileira para Flauta e Violão (São Paulo. Paulus CD 003348, 1998)

 - Baby needs Baroque (Hollywood, USA: Delos, DE-1609, 1998)

- Essência do Brasil. Música Brasileira para Quarteto de Violões, com o Brazilian Guitar Quartet (Hollywood, USA: Delos, DE-3245, 1998)

 - Viagem pelo Brasil. CD/Livro (São Paulo: AKRON CD-06, 2000)

 - Os Anos 20 (São Paulo: CD EGTA, SGV 10.160-01, 2000)

 - J. S. Bach, 4 Suítes para Orquestra BWV 1066-1069, com o Brazilian Guitar Quartet (Hollywood, USA: Delos, DE-3254, 2000)

 - Marília de Dirceu. CD/livro (São Paulo: AKRON, CD-06, 2001)            

- Encantamento, com o Brazilian Guitar Quartet (Hollywood,USA: Delos, CD DE3302, 2001)               

- Lina Pires de Campos – O Universo Sonoro (São Paulo: Régia Música,RMCD-03, s.d)

- 10 Anos de Violão Intercâmbio. 4 peças de Fernando Sor – Violão Intercâmbio – GTR, AA0000500, 2004.

- Retratos de Radamés, com o Núcleo Hespérides e o Trio Opus 12. (Petrobras/Ministério da Cultura, 700.000.012AB, 2007)

- Rodolfo Coelho de Souza – Música (São Paulo, s.d. / fita cassete)               

- Doces Lembranças (Rio de Janeiro: Philips, nº 422100-4, 1987)

 

Links

CurriculumLattes

https://uspdigital.usp.br/tycho/CurriculoLattesMostrar?codpub=E7A0B7AA5ABE